POR UMA PERSPECTIVA CRÍTICO-HISTORICISTA DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: NOVOS PRESSUPOSTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS À LUZ DA HETEROCIÊNCIA BAKHTINIANA
Filosofia da Ciência da Informação. Thomas Kuhn. Paradigma. Mikhail Bakhtin. Heterociência. Simulacro.
A tese parte do reconhecimento de que a Ciência da Informação, enquanto campo de estudos interdisciplinar, tem sido fortemente influenciada por concepções universalistas e reducionistas que desconsideram a complexidade e a historicidade do fenômeno informacional. Nesse contexto, propõe-se o fortalecimento de uma perspectiva crítico-historicista da Ciência da Informação, orientada a transpor os impasses epistemológicos produzidos pelas abordagens instrumental-positivista e integrada, ao mesmo tempo em que se ancora nas particularidades socioculturais que conformam o fenômeno informacional. Para isso, o estudo desenvolve-se a partir da análise crítica dos fundamentos teóricos de três perspectivas científicas que influenciaram a constituição epistemológica da área – instrumental-positivista, crítico-historicista e integrada. Descrevem-se os impasses teóricos decorrentes da incorporação das ideias de Thomas Kuhn no campo da Ciência da Informação, com base nos paradigmas propostos por Rafael Capurro e pela Escola do Porto; examina-se de que modo a perspectiva crítico-historicista pode contribuir para a superação desses impasses; e emprega-se a noção bakhtiniana de heterociência para o fortalecimento de uma concepção epistemológica que valorize o pluralismo teórico, a centralidade das relações sociais e a responsabilidade no uso da informação. Metodologicamente, trata-se de uma investigação de natureza teórica, desenvolvida por meio de pesquisa bibliográfica e fundamentada nos métodos hermenêutico e dialético, com o objetivo de analisar criticamente os pressupostos epistemológicos que sustentam a práxis científica no campo da Ciência da Informação. Como resultado, a pesquisa oferece subsídios conceituais e metodológicos para a consolidação de uma perspectiva crítico-historicista da Ciência da Informação, contribuindo para o fortalecimento de abordagens mais sensíveis à diversidade cultural e social. Considerando a natureza complexa, dinâmica e situada do fenômeno informacional, evidencia-se, por fim, a necessidade de reposicionar o sujeito informacional como eixo central da investigação na Ciência da Informação. Ao valorizar suas experiências, contextos e relações socioculturais, amplia-se a capacidade analítica do campo, possibilitando não apenas uma compreensão mais profunda dos processos informacionais, mas também o desenvolvimento de práticas e teorias mais responsivas às necessidades concretas dos sujeitos em suas múltiplas inserções sociais.