Carnaval, política e imagens de dor: sintomas e fantasmas no pathos bajadeano segundo o pensamento de Georges Didi-Huberman.
Bajado; Didi-Huberman; metapsicologia da imagem.
Todo trabalho analítico deixa restos. Não foi diferente com Bajado a poética visual no discurso gráfico: diálogo entre a Semiótica Estruturalista e o Design da Informação, documento que antecede e ao mesmo tempo possibilitou o desenvolvimento desta tese. É que ao término da dissertação constatou-se que estranhos fragmentos do trabalho de Bajado não foram devidamente contemplados como consequência de limitações tanto de ordem epistemológicas quanto de ordem metodológicas. Esses estranhos fragmentos aparecem e desaparecem assim como fantasmas em toda a obra do artista brasileiro Bajado (1912-1996) de modo que o estudo discursivo se mostrou lacunar para o problema do pathos bajadeano. Com o intuito de sustentar ou refutar a hipótese de que a pintura de Bajado pode ser considerada o sintoma de uma sociedade que resistiu à ditadura militar no Brasil? e ao mesmo tempo propor uma maneira outra de se escrever a História do Design; tem-se como quadro teórico central a metapsicologia da imagem para a qual a materialidade capturada por uma fotografia, uma pintura, um filme, uma escultura, etc. é um fenômeno cuja aparição expõe um sintoma: o estado de forças psíquicas elementares. A partir do pensamento do filósofo e historiador da arte Georges Didi-Huberman, foi possível abordar o caso Bajado por uma perspectiva dialética sobredeterminativa e transindividual que demonstrou que o âmago do pathos bajadeano é imbuído por um saber trágico tensionado entre a melancolia e a esperança.