SEMENTES DE RESISTÊNCIA: A PRÁTICA DE SI ATRAVÉS DAS ENCRUZILHADAS
Decolonialidade; Pedagogia das Encruzilhadas; Corpo-Território; Autoetnografia; Narrativa.
Esta dissertação investiga duas experiências de educação emancipadora, utilizando a metodologia autoetnográfica e a observação participante. O percurso começa com as memórias das vivências do Ocupe UFPE – Centro de Artes e Comunicação (CAC), em 2016, apresentadas de forma autoetnográfica, e se aprofunda com os apontamentos resultantes da vivência no 4o Ciclo do Terreirada em Cena, realizado no terreiro Ìlé Àṣẹṣ Ọmọ Omi Sagbà – Casa das Águas (maio, 2025). O objetivo central é analisar como as práticas de si e as narrativas de encruzilhadas do Corpo-Território, ancoradas na Pedagogia das Encruzilhadas, se configuram como epistemologias de resistência que influenciam a crítica decolonial no campo acadêmico. Na Introdução, apresentamos a trajetória da pesquisadora, denunciando o epistemicídio e a sensação de não-pertencimento vivenciados na academia, ao passo que anunciamos o problema, os objetivos e a estrutura do trabalho. O Capítulo Um delineia o panorama da crítica decolonial, distinguindo colonialismo e colonialidade, e estabelece as âncoras conceituais da pesquisa: a Pedagogia das Encruzilhadas e o Corpo-Território, assumindo o Terreiro como matriz de saberes em contraponto à lógica acadêmica. O Capítulo Dois apresenta o relato de memória do Ocupe UFPE, revisitando-o como catalisador que, ao revelar a violência institucional, impulsionou a busca por resistência. O Capítulo Três foca na ontologia da reexistência, onde o Ìlé Àṣẹṣ Ọmọ Omi Sagbà é apresentado como o Corpo-Território que materializa a Pedagogia da Encruzilhada, servindo como lócus da vivência etnográfica do Terreirada em Cena. O Capítulo Quatro se dedica à análise etnográfica das vivências do 4o Ciclo do Terreirada em Cena, desvendando como a Pedagogia da Encruzilhada se manifesta em estratégias concretas de reexistência e combate à violência epistêmica, seguindo o referencial da prática de si. Por fim, nas Considerações Finais, apresentamos, em tom ensaístico, princípios subjetivos e territoriais para o campo do saber, que valorizam o ser, o estar e o sentir como atos de fortalecimento identitário e produção de conhecimento.