Pedagogia das Encruzilhadas e O Corpo-Território: Saberes do Terreiro como Práxis na Formação em Design à partir da Experiência do 'Terreirada em Cena'
Pedagogia das Encruzilhadas; Design Anticolonial; Corpo-Território; Práxis; Terreiro.
Esta pesquisa propõe uma ruptura com a hegemonia do Design, historicamente enraizada em lógicas eurocêntricas e funcionalistas que contribuem para o apagamento de saberes ancestrais. O trabalho inicia-se com uma narrativa autoetnográfica e política na qual a pesquisadora — mulher negra, lésbica e de terreiro — expõe o epistemicídio em prática e a sensação de não-pertencimento vivenciados na academia. A experiência da Ocupa UFPE em 2016 é revisitada como catalisador que, ao revelar a violência institucional, impulsionou a busca por epistemologias de cura e resistência. Diante dessa crise, o Objetivo Geral é analisar as práticas educativas desenvolvidas no projeto “Terreirada em Cena”, no terreiro Ilé Asé Omò Omí Sagbá – Casa das Águas, a fim de propor chaves conceituais para a Práxis na Formação em Design. O terreiro é, assim, assumido como um território educativo, cultural e político, o contraponto à rigidez da academia. A investigação se apoia na Pedagogia das Encruzilhadas (Luiz Rufino) e na Pedagogia Crítica (Paulo Freire e bell hooks). A Metodologia é qualitativa e autoetnográfica, utilizando a observação participante e a análise de narrativas das atividades do “Terreirada em Cena” para descrever os saberes tradicionais. O percurso culmina na síntese dos achados de campo e na proposição de diretrizes pedagógicas que desafiam a estrutura de privilégios e o repertório hegemônico do ensino formal. A pesquisa demonstra que o aprendizado em contextos de encruzilhada, baseados na circularidade, no corpo e no afeto, oferece o arcabouço para um Design Antirracista e Anticolonial. Sua contribuição reside na proposição de uma nova práxis pedagógica para o Design, conectada ao território e comprometida com a emancipação do sujeito.