Intervenções de design para co-criar zonas de confluência: Colaborando com marceneiros artesãos na produção de espaços de coletividade e compartilhamento
design antropologia; Intervenções de design; confluência; artesanato
A modernidade ocidental, enquanto ontologia colonialista, tem produzido, ao longo dos séculos, uma série de catástrofes ambientais e negações sócio-culturais. Como uma estrutura de dominação, tem submetido a diversidade humana e não-humana a intensos processos de subalternização, marginalizando formas de ser, saber e fazer que não se adequam aos seus princípios econômicos capitalistas. Sustentada em construtos como desenvolvimento, progresso, evolução e modernização, tem estabelecido escalas classificatórias que engendram a industrialização, a incrementação tecnológica e o crescimento econômico como indicadores do nível de desenvolvimento. Nessa direção, praticantes de atividades que apresentam pouca atualização tecnológica, como a marcenaria artesanal, sofrem o contínuo risco de apagamento. Instigada por esse cenário, a presente pesquisa, orientada pela abordagem do design antropologia, aciona o potencial mediador do design para investigarmos a construção de outras possibilidades de ser, pensar e produzir. Tensionando a ontologia moderna capitalista, e a reprodução de seus valores e crenças por meio do design, propomos uma prática crítica e engajada, cuja reorientação está centrada nos valores do artesanato e nas ideias de confluência (Antônio Bispo dos Santos), comunidade (bell hooks) e política do encontro (Malcolm Ferdinand). Está se desdobrando junto a um grupo de marceneiros artesãos da cidade de Fortaleza, no Ceará, e, a partir de demanda expressa por eles, tem como objetivo geral a co-criação de espaços de coletividade e compartilhamento sobre o cotidiano da marcenaria artesanal; acionando como ponto de partida para o diálogo a inventividade do próprio marceneiro, seus modos de trabalho e a possibilidade de reuso e aproveitamento de materiais descartados. Para isso, será trabalhado, de maneira participativa, o método das intervenções de design, cujo pressuposto é possibilitar uma investigação experimental, lúdica, voltada à complexificação e aberta aos improvisos do cotidiano.