Smartwatches no contexto das interfaces ubíquas: análise netnográfica de evidências de design e autogestão percebida do bem-estar em reviews de usuários
design de interfaces; computação ubíqua; bem-estar digital; smartwatch; experiência do usuário.
Esta dissertação investiga como o design de interfaces contribui para a ubiquidade e o bem-estar em smartwatches voltados ao automonitoramento da saúde. Fundamentada na tríade teórica Design–Ubiquidade–Bem-estar, a pesquisa articula as contribuições de Dieter Rams, Aaron Quigley, Mark Weiser, Donald Norman, Jakob Nielsen e Carol Ryff. A abordagem metodológica combina uma revisão sistemática da literatura com uma análise netnográfica de avaliações de usuários sobre os dois smartwatches mais vendidos no Brasil, nas plataformas Amazon e Mercado Livre. Foram analisados 244 comentários válidos do modelo Samsung Galaxy Fit3 Display 1.6” e 100 do modelo Amazfit T-rex 3 Amoled Alexa Ônix Caixa Onyx Pulseira Onux, codificados segundo dez critérios de design derivados de referenciais clássicos da Interação Humano-Computador e do Design da Informação. Os resultados revelam que os critérios C6 (Ubiquidade/Integração), C9 (Durabilidade/Confiabilidade) e C10 (Bem-estar/Agência) concentram as experiências mais significativas, confirmando que a integração contínua, a confiabilidade técnica e a percepção de controle constituem o núcleo da experiência ubíqua. A análise mostra ainda que a estética e a personalização (C5 e C8) potencializam a aceitação, mas não compensam falhas de integração. Conclui-se que a ubiquidade percebida depende de um design centrado no humano, claro e responsivo, capaz de operar de modo “calmo” e integrado ao cotidiano. A pesquisa contribui para o avanço teórico e prático do design de interfaces ubíquas, propondo bases para diretrizes de avaliação e desenvolvimento de wearables orientados ao bem-estar digital.