O carnaval de rua de Olinda: Uma análise da gestão na intersecção entre carnaval e o sítio histórico enquanto patrimônio cultural
carnaval de rua; sítio histórico de Olinda; gestão do patrimônio cultural; megacarnaval; material e imaterial
O Sítio Histórico de Olinda, tombado em 1968 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e o seu Carnaval de rua, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Pernambuco (Lei Estadual nº 13.778/2009) e Manifestação da Cultura Nacional (Lei Federal nº 15.137/2025), encontram no espaço público o seu ponto de intersecção. O festejo constitui-se como uma manifestação indissociável do sítio histórico, integrando a materialidade e a imaterialidade do local, tendo suas ruas definidas legalmente (Lei Municipal nº5306/2001) como passarelas naturais das agremiações. Contudo, a festa tem passado por transformações que privilegiam aspectos econômicos em detrimento dos identitários, processo que consolidou o fenômeno do "megacarnaval", marcado pela massificação do público e pela instalação de megaestruturas. Diante desse contexto, o objetivo desta pesquisa consiste em analisar a articulação entre o arcabouço normativo de preservação e a gestão do Carnaval de Olinda no período de 2008 a 2026, investigando em que medida as estratégias de execução do festejo asseguram a preservação do patrimônio cultural, em suas dimensões tangíveis e intangíveis, frente às demandas da festa, que tem a rua como o território, por excelência, de sua materialização. Para isso, o estudo caracteriza a dinâmica atual do megacarnaval; identifica e cruza os instrumentos legais e institucionais de proteção do sítio histórico e as normativas direcionadas ao período carnavalesco; e analisa a estrutura organizacional e o fluxo de competências institucionais, tomando os anos de 2024, 2025 e 2026 como estudos de caso para avaliar os impactos da operacionalização logística. Metodologicamente, a investigação constrói-se a partir da análise de notícias (jornalísticas e de mídias sociais), normativas, documentos e depoimentos oriundos de pesquisa de campo primária junto aos gestores institucionais competentes. O caminho metodológico orienta a estruturação dos capítulos da dissertação. Os resultados sugerem um processo de mercantilização do carnaval, evidenciado por narrativas institucionais focadas em polos e patrocinadores, em detrimento da valorização das formas de expressão. Ademais, constata-se que a gestão exerce um papel direto e imprescindível na aplicação das normativas vigentes, sendo determinante para mitigar essas tensões e garantir a preservação da festa enquanto celebração de rua. Em se tratando de uma celebração que se repete todos os anos e da escassez de material sistematizado sobre a gestão nessa perspectiva integrada entre carnaval e sítio histórico, a dissertação avança e inicia o processo de preenchimento desta lacuna.