Banca de QUALIFICAÇÃO: ALINA SÍRIA DE ARAÚJO SANTOS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ALINA SÍRIA DE ARAÚJO SANTOS
DATA : 02/09/2026
LOCAL: SALA DE AULA DO PPG-DU, CAC
TÍTULO:

À MARGEM DO RIO E DA CIDADE: Produção do espaço urbano e vulnerabilidade socioambiental em áreas ribeirinhas - o caso da ZEIS Coelhos, Recife/PE.


PALAVRAS-CHAVES:

Produção do espaço urbano, palafitas, vulnerabilidade socioambiental, comunidades ribeirinhas, ZEIS Coelhos.


PÁGINAS: 82
RESUMO:

A formação histórica do Recife foi marcada pela ocupação gradual de áreas ribeirinhas e alagáveis, onde a presença de palafitas se consolidou como uma das principais formas de moradia, uma vez que a natureza desigual da produção do espaço da cidade resultou na concentração de populações vulneráveis nesses territórios mais expostas a riscos. Esse contexto caracteriza a vulnerabilidade socioambiental, que para fins metodológicos deste estudo, é compreendida como a combinação da dimensão social e ambiental, onde há uma sobreposição espacial entre a fragilidade multidimensional de grupos populacionais, a suscetibilidade dos sítios que elas ocupam e as lacunas do planejamento e gestão do ordenamento urbano. Esse desequilíbrio resulta de uma produção do espaço assimétrica, na qual áreas com a mesma suscetibilidade apresentam graus de vulnerabilidade e risco distintos, conforme o grupo social exposto e sua localização. Assim, áreas de ocupação planejada, com infraestrutura e serviços urbanos, habitadas por população de um estrato social de maior renda – classes A e B – apresentam uma menor vulnerabilidade, enquanto áreas com limitado acesso às infraestruturas e serviços, ocupadas por uma população de menor renda – sobretudo classes D e E – estão mais expostas a riscos. O conjunto das características afeitas a um maior grau de vulnerabilidade e risco se conjuga em torno dos conceitos de segregação e exclusão socioespacial, constitutivos de territórios “marginais”, informais e precários, apartados da cidade formal, planejada e urbanizada. O Recife, classificado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas entre as cidades mais vulneráveis às mudanças climáticas, ilustra o fato de que eventos climáticos extremos recaem desproporcionalmente sobre espaços ocupados pela população mais pobre e marginalizada. Nesses espaços, especialmente nas áreas ribeirinhas expostas a alagamentos e inundações, a vulnerabilidade se amplia, desencadeando desastres que, para as populações afetadas que convivem cotidianamente com o risco, representam perdas não apenas materiais. Diante disso, a resistência se torna uma necessidade intrínseca a quem vive à margem do rio e da cidade. Nesse contexto ribeirinho as palafitas assumem um papel quase que ambíguo, uma vez que representam uma estratégia histórica de permanência e acesso à moradia para populações “excluídas” da cidade formal, também expressam a reprodução das condições de vulnerabilidade da ocupação de áreas suscetíveis às dinâmicas hidrológicas. Nessa conjunção, a ZEIS Coelhos, objeto empírico desta pesquisa, evidencia o processo histórico de desigualdade da capital pernambucana, em que a condição socioespacial, associada à distribuição desigual dos recursos, torna seu território vulnerável aos intensos impactos de enchentes e alagamentos desde a sua origem. Diante da produção social desse espaço urbano e do cenário de vulnerabilidades historicamente construídas, este trabalho tem como objetivo geral caracterizar o processo de produção do espaço urbano na ZEIS Coelhos, a partir da presença histórica das palafitas, compreendendo seu papel na consolidação da comunidade e sua relação com o quadro de reprodução das condições de vulnerabilidade socioambiental do território. Para tanto, adota-se a abordagem qualitativa, que segundo os autores Minayo, Deslandes e Gomes (2007), busca entender através de um conjunto de fenômenos, valores, crenças, hábitos e relações. Espera-se que este trabalho possa oferecer um conjunto de informações que promova a redução das vulnerabilidades existentes na comunidade e o fortalecimento de iniciativas de construção de resiliência e políticas de adaptação climática urbana em comunidades ribeirinhas da cidade.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1149640 - FABIANO ROCHA DINIZ
Externa ao Programa - 2790388 - CRISTIANA COUTINHO DUARTE - UFPEExterno ao Programa - 1134083 - RONALD FERNANDO ALBUQUERQUE VASCONCELOS - UFPE
Notícia cadastrada em: 04/08/2026 14:42
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação (STI-UFPE) - (81) 2126-7777 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - sigaa08.ufpe.br.sigaa08