Banca de DEFESA: THAMYRES HANNA ALVES PEREIRA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: THAMYRES HANNA ALVES PEREIRA
DATA : 31/03/2026
HORA: 09:00
LOCAL: online
TÍTULO:

Cartografias subjetivas do Centro de Teresina - Pi: corpo, experiência e temporalidades


PALAVRAS-CHAVES:

Teresina; centro urbano; carga simbólico-afetiva; experiência urbana; cartografias afetivas.


PÁGINAS: 114
RESUMO:

O problema central desse estudo se articula ao gesto questionador do poeta teresinense Paulo

Machado, na década de 1980, – Nas ruas da minha cidade há lições? (É preciso aprendê-las)

[...] – como um chamado à consciência social e ao olhar crítico para aquilo que faz parte do

cotidiano. No contexto do poeta, a cidade de Teresina já passava por um processo intenso de

mudanças urbanas e comportamentais, entretanto, os discursos e enunciados sobre a realidade

privilegiavam indicadores visíveis e dados estatísticos para sustentar diagnósticos que

deveriam considerar também as experiências vividas, as relações afetivas e as dimensões

simbólicas manifestas no espaço e a partir dele. De forma semelhante, é dessa tensão, entre a

cidade posta e a cidade sentida, que emerge esta pesquisa. Compreende-se que esse processo

contínuo de mudanças se inscrevem na materialidade do espaço e produzem impactos

concretos que não se esgotam em indicadores quantitativos, mas se estendem às experiências

cotidianas, aos modos de apropriação e às formas de vida que constituem a relação dos

sujeitos com a cidade. Assim, o objetivo geral da pesquisa está em investigar como os

vínculos simbólicos e afetivos com o Centro de Teresina se constituem e se modificam,

considerando as relações entre corpo, lugar e tempo. Para isso, em primeiro momento,

utiliza-se das noções de experiência sensorial encarnada e do corpo no espaço construído

(Pallasmaa, 2012), do lugar arquitetônico enquanto espaço vivido (Duarte et al., 2023), das

ressonâncias afetivas – através da experiência íntima do habitar – (Bachelard 2008) e das

atmosferas afetivas compartilhadas (Griffero, 2022). Partindo dessa articulação

fenomenológica, encontra-se nas formulações sobre micropolíticas urbanas de Rolnik (2011),

o aporte teórico-metodológico para a construção de cartografias subjetivas, e dos afetos

urbanos, que captam intensidades, acompanham processos e viabilizam possíveis formas de

leitura do território. O procedimento metodológico se dá por meio de três frentes articuladas:

da experiência situada da pesquisadora; da produção literária de Paulo Machado nas décadas

de 1970 e 1980; e das experiências cotidianas de jovens estudantes de uma escola localizada

no Centro (Ceti Zacarias de Góis ou, mais conhecido, como Liceu Piauiense), no ano de

2025. Dessa forma, o Centro de Teresina se apresenta como um território de disputa, cuja

carga simbólico-afetiva é continuamente redefinida pelas práticas, narrativas e

temporalidades que o constituem. As cartografias, por sua vez, se expressam tanto em

mapeamentos quanto na própria escrita da dissertação, mas não se esgotam, permanecem

abertas e inacabadas. Em vez de sustentar a ideia de nostalgia ou obsolescência, as variações

afetivas reveladas por essas cartografias serviram para evidenciar que o mesmo território

pode sustentar atmosferas distintas, conforme os regimes políticos, econômicos, midiáticos e

culturais que o atravessam. Além disso, essas variações podem ser mobilizadas para imaginar

futuros possíveis em que os espaços do Centro se tornem zonas de latência – micropoética e

micropolítica –, onde os sujeitos possam experimentar maneiras alternativas de viver e

reinventar o urbano.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1963579 - JULIETA MARIA DE VASCONCELOS LEITE
Interna - 297806 - MARIA DE JESUS DE BRITTO LEITE
Externa à Instituição - ANA ROSA SOARES NEGREIROS FEITOSA - UFPI
Externo à Instituição - LUIZ MANUEL DO EIRADO AMORIM - UFPE
Notícia cadastrada em: 26/03/2026 15:39
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