ARQUITETURA E NEUROCIÊNCIAS: Desafio epistemológico e contribuições para a aprendizagem de projeto
Arquitetura, neurociências, aprendizagem de projeto
Desde meados do século XX os estudos sobre o sistema nervoso tem avançado em um ritmo cada vez mais acelerado, se comparado com os séculos passados. E, com estes crescentes avanços, também surgiu o interesse de espraiar as descobertas para outros campos disciplinares, incluindo para a arquitetura. Então, as pesquisas que relacionam arquitetura e neurociências têm sido realizadas de modo estruturado desde o início do século XXI, e cada vez mais tem ganhado notoriedade no mundo e também no Brasil. No entanto, todo este prestígio tem trazido consigo, em muitos dos casos, vieses comunicativos e superficialidades que mais prejudicam do que demonstram as potencialidades da articulação entre estes dois saberes. Portanto, o presente trabalho tem como objetivo a construção de um diálogo entre arquitetura e neurociências, a partir de contribuições de António Damásio sobre o sistema nervoso, mas também fundado no que Edgar Morin chama de conhecimento pertinente e na compreensão do papel das ciências segundo Merleau-Ponty. Também busca construir um diálogo que permita contribuições para a aprendizagem de projeto de arquitetura, utilizando-se de definições da arquitetura como homeostase e como experiência, a partir de teóricos como Pallasmaa, Bruno Zevi e Saldarriaga, e da compreensão do funcionamento do corpo humano, e demonstrando como diversas pesquisas sobre processamento mental, neurônios-espelho e experiência espacial podem contribuir para este processo de aprendizagem. Por fim, aponta para outras possíveis contribuições desta aproximação entre as duas disciplinas. Assim, o trabalho demonstra que é possível uma relação profícua entre arquitetura e neurociências, bem como contribuições para a aprendizagem de projeto oriundas desta relação, mas também que é importante uma perspectiva ampla do conhecimento que possibilite uma abordagem aberta e questionadora, e que abandone o ideal de um conhecimento último e absoluto sobre as coisas.