DO PARQUE DOS MANGUEZAIS ÀS CROAS DA MARÉ
Táticas de territorialização na Comunidade do Bode
território. táticas. áreas protegidas. comunidades pesqueiras.
pluriverso.
O presente estudo objetiva discutir como as práticas do cotidiano de comunidades
ribeirinhas próximos a Áreas Protegidas funcionam como táticas de territorialização.
A pesquisa possui natureza etnográfica e foi desenvolvida utilizando-se da imersão
em campo, mobilizando técnicas como oficinas de cartografia social, diálogos e
observação participante, norteadas por pressupostos de pesquisa-ação. O objeto
empírico é a Comunidade do Bode no bairro do Pina-Recife/PE e a Unidade de
Conservação da Natureza Parque dos Manguezais, territórios marcados pela prática
da pesca artesanal. O foco da discussão recai sobre os Sistemas de Áreas Protegidas,
lidos como instrumentos normativos que desconsideram práticas territoriais anteriores
às delimitações oficiais. Questiona-se a reprodução de categorias conceituais, como
Preservação, Território e Área Protegida, que, na lógica do planejamento e do
ordenamento territorial, reduzem territórios vividos a uma dimensão pragmática e
funcional. Argumenta-se que a sobrecodificação normativa daquela comunidade gera
vulnerabilidade institucional, desterritorializando os trabalhadores da pesca e gerando
impacto na reprodução social do trabalho e do território. Como resposta, para além
das resistências expressas em movimentos sociais organizados, são desenvolvidas
táticas silenciosas lidas nas configurações socioterritoriais locais, consagradas em
acordos cotidianos e arranjos comunitários, que demonstram formas de resistências
implícitas. Procura-se demonstrar que, independentemente da normatização
institucional, o território é dinâmico em suas dimensões prática e existencial, sendo
moldado no cotidiano, pelas economias populares, pelos vínculos de trabalho, na
ancestralidade e nas redes de vizinhança, que se encontram nas águas da “maré”.
Com isso, pode-se realizar uma leitura pluriversal da Política Ambiental, que possibilita
reconhecer múltiplas territorialidades e a incorporação das áreas de pesca como
territórios legítimos na cidade.