A MEMÓRIA COMO FERRAMENTA PARA A CONSERVAÇÃO DE RUÍNAS
O caso da Vila de Nazaré, no Cabo de Santo Agostinho
RECIFE
Memória coletiva. Conservação. Ruínas históricas. Patrimônio cultural. Vila de Nazaré.
O campo da conservação do patrimônio cultural tem sido tradicionalmente orientado por abordagens centradas na materialidade dos bens como fundamento para as intervenções. Entretanto, as transformações ocorridas no campo ao longo do tempo, especialmente a partir da segunda metade do século XX, evidenciaram a necessidade de incorporar as dimensões simbólicas, sociais e culturais aos processos de preservação. Nesse contexto, a presente pesquisa busca investigar a memória como ferramenta possível para a conservação do patrimônio, analisando a ruína enquanto recorte deste campo do conhecimento. Define-se, como estudo de caso, a Igreja de Nossa Senhora de Nazaré e as ruínas do antigo Convento Carmelita, localizados na Vila de Nazaré, no Sítio Histórico do Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco. O objetivo geral consiste em analisar de que maneira a memória pode contribuir para a conservação deste conjunto, ampliando a compreensão dos valores atribuídos às ruínas para além de sua materialidade. Para tanto, busca-se compreender o processo de formação histórica e patrimonialização da Vila de Nazaré, caracterizar o estado de conservação das ruínas analisadas e identificar as relações estabelecidas entre as memórias oficiais e aquelas construídas pela comunidade. A pesquisa adota a abordagem qualitativa, de caráter exploratório e interpretativo, fundamentada em estudo de caso, análise documental, revisão bibliográfica e realização de entrevistas semiestruturadas com diferentes atores envolvidos na preservação do sítio. O referencial teórico articula os estudos da memória e da conservação do patrimônio, problematizando abordagens centradas exclusivamente na materialidade e defendendo a incorporação da memória como dimensão fundamental para a conservação de ruínas históricas.