DAS PRATELEIRAS AO ESPAÇO URBANO: A Influência da Expansão dos Atacarejos na Reconfiguração Territorial do Recife
Palavras-chave: Comércio Atacado-Varejista; Oligopólios; Redes; Produção do Espaço Urbano; Destruição Criativa
O presente trabalho analisa o processo de expansão e territorialização do modelo de “Atacarejo” (comércio híbrido de atacado e autosserviço varejista) no município do Recife e na sua Região Metropolitana (RMR) entre 2000 e 2025. A pesquisa investiga como as estratégias corporativas de grandes redes (como Atacadão, Assaí Atacadista, Novo Atacarejo e Mix Mateus), a mediação do Estado e a dinâmica de acumulação e financeirização do capital reconfiguram o tecido urbano. A partir dos conceitos de produção do espaço e destruição criativa, o estudo demonstra como esses macroequipamentos materializam no espaço urbano os interesses do capital corporativo dos grupos que os operam. Essa lógica se concretiza tanto pela refuncionalização de estruturas comerciais obsoletas (antigas unidades do Bompreço, Walmart e Big) quanto pela ocupação de terrenos em eixos viários estratégicos. Como resultado, a proliferação desses grandes galpões reordena o uso do solo, impõe novas centralidades comerciais, pressiona o comércio de proximidade e transforma a mobilidade e a paisagem da cidade para servir ao fluxo e ao giro rápido do capital.