A participação feminina nos concursos de arquitetura no Brasil
1970-2010
Concursos de arquitetura; IAB; Gênero; Historiografia;
A pesquisa investiga os concursos nacionais de arquitetura chancelados pelo
Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) entre 1970 e 2010, período que marca a
consolidação do concurso como arena de legitimidade e o processo de feminilização
da profissão, evidenciado por dados do CAU/BR (2020). Ao cruzar essas
dimensões, o trabalho busca compreender o paradoxo de gênero que atravessa a
disciplina: a crescente presença de mulheres na formação profissional contrastando
com sua sub-representação nos espaços de reconhecimento público e autoria
premiada. De caráter historiográfico e documental, o estudo analisa como o
concurso se tornou também um espaço de construção de memória disciplinar e de
distinção simbólica. Dessa forma, propõe uma leitura do IAB como guardião dos
cânones moderno e contemporâneo, como um dispositivo que, ao mesmo tempo em
que consolida a autoridade profissional, reproduz exclusões de gênero herdadas da
historiografia androcêntrica. O estudo busca reconfigurar a narrativa sobre os
concursos nacionais, deslocando o foco da genialidade individual para os regimes
de reconhecimento que valorizam práticas coletivas e colaborativas de autoria.
Trata-se, portanto, de uma crítica historiográfica que interroga quem a arquitetura
escolheu, e quem silenciou, ao definir o que considera digno de ser lembrado.