A RELAÇÃO TEORIA E PROJETO NA FORMAÇÃO DE ARQUITETOS E
URBANISTAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO:
Desafios no campo da preservação
Relação teoria e projeto; Formação em Arquitetura e Urbanismo; Campo da preservação.
O debate sobre a formação em Arquitetura e Urbanismo tem se ampliado nas últimas décadas, destacando a necessidade de um percurso formativo que vá além do domínio técnico e promova uma postura crítica, pautada em valores éticos, sociais e culturais. Tais discussões tornam-se particularmente importantes diante dos desafios associados às intervenções em edificações e sítios de reconhecido valor patrimonial, considerando que a consciência do arquiteto e urbanista sobre como atuar no preexistente se consolida ao longo da formação universitária (Farah, 2012). Apesar dos avanços, particularmente na graduação, ainda persistem lacunas formativas quanto ao campo da preservação. Entre elas, destaca-se a recorrência, em muitas escolas, das dificuldades para uma efetiva articulação entre o aporte teórico-metodológico do restauro — entendido como subsídio operacional para orientar as decisões projetuais — e o exercício projetual (Kühl, 2017; Vieira-de-Araújo, 2020). Diante dessa problemática, este trabalho tem como objetivo geral compreender a relação entre os conteúdos ministrados nos componentes curriculares de natureza teórica e aqueles vinculados ao exercício projetual, nos processos de ensino-aprendizagem voltados ao campo da preservação, a partir do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco. O objeto de estudo, particularmente, é a formação acadêmica oferecida no ano dedicado à preservação, correspondente aos 7º e 8º períodos do curso, com foco nas disciplinas de Teoria e Projeto de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo, suas inter-relações, e os blocos integradores Segno e Coda. Para tanto, o estudo adotará uma abordagem metodológica qualitativa, de caráter exploratório, com delineamento de estudo de caso. Esse modelo virá a possibilitar o exame aprofundado do objeto por meio da integração de diferentes perspectivas: a ótica institucional, as perspectivas dos atores envolvidos (docentes, estagiários-docentes, monitores e estudantes) e a visão do pesquisador. A investigação será desenvolvida em três fases principais: a construção do referencial teórico, a coleta de dados em campo e, por fim, a análise e triangulação das informações coletadas. Desse modo, o desenho da pesquisa recorrerá a múltiplas fontes e instrumentos de coleta: documentos oficiais, como o Projeto Pedagógico Curricular (PPC) e os planos de ensino; observação participante nas disciplinas Teoria e Projeto 7 e 8 e nos blocos
integradores Segno e Coda; questionários estruturados; entrevistas abertas e semiestruturadas com os atores do processo formativo; e as produções acadêmicas realizadas. A análise e interpretação dos dados serão conduzidas por meio do processo de triangulação, articulado ao referencial teórico, com o objetivo de confrontar as diferentes óticas e aprofundar a compreensão do problema de pesquisa. Este estudo revela-se importante ao contribuir com reflexões sobre a formação em Arquitetura e Urbanismo para o campo da preservação. Ao evidenciar lacunas, caminhos e potencialidades formativas, a pesquisa poderá oferecer subsídios para a revisão de projetos político-pedagógicos, a estruturação de componentes curriculares e o fortalecimento dos processos de ensino-aprendizagem. Parte-se do entendimento de que a integração entre teoria e prática projetual é primordial para o desenvolvimento de competências alinhadas à preservação. Assim, a pesquisa pretende colaborar na formação de profissionais mais bem fundamentados e sensíveis, conscientes de sua atuação ético-cultural ao intervir na preexistência e nos bens preestabelecidos.