DIVERSIDADE INTRAURBANA METROPOLITANA: RECONHECENDO PADRÕES SOCIOESPACIAIS NA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE
segregação socioespacial; região metropolitana; segregação racial; planejamento metropolitano; morfologia urbana.
A estrutura urbana das grandes metrópoles latino-americanas têm sido moldada pela segregação socioespacial em múltiplas escalas. A configuração resultante consiste em uma coexistência de uma macrossegregação, que segue uma lógica centro-periferia, e de uma microssegregação, caracterizada por fragmentos urbanos dissonantes ao longo do contínuo urbano, situação esta que vem se intensificando desde as décadas de 1980 e 1990. Esta tese parte do pressuposto de que é possível compreender a reprodução e a persistência da segregação socioespacial a partir da dialética socioespacial, isto é, da combinação entre sistema de objetos e sistema de ações. Aos objetos, associou-se os padrões morfológicos, e as ações, ao planejamento urbano que direciona a ocupação do solo urbano, ambos componentes dentro de sistemas mais amplos. A Região Metropolitana do Recife, composta por 14 municípios, é o objeto de estudo desta investigação. Pode-se considerar que a segregação socioespacial que existe nesta metrópole é multidimensional e marcada por áreas de fricção com grande contraste socioespacial. A metodologia utilizada associou diversos indicadores de segregação a tipologias de tecido urbano (padrões morfológicos), renda média dos responsáveis dos domicílios e aos índices de aproveitamento que incidem nos zoneamentos municipais. Sistematiza-se então um método e uma lente teórica para investigar a segregação socioespacial e inspecionar a seguinte hipótese de pesquisa: estaria o planejamento urbano na Região Metropolitana do Recife provocando um aprofundamento da segregação socioespacial em escalas cada vez menores? Como implicações, esta pesquisa busca oferecer subsídio a um planejamento mais integrado e voltado a um desenvolvimento urbano mais equitativo na região.