NARRATIVIDADES EM CONTOS ERÓTICOS: MODOS DE ENUNCIAÇÃO NO ESPAÇO DIGITAL
Narratividade; Contos Eróticos; Discurso Sexual; Espaço Digital; Análise do Discurso.
Dos espaços digitais de circulação dos discursos, caracterizados pela diluição da vida íntima na esfera pública, emergem modos de dizer que atualizam as formas históricas do litígio confessional (Sibilia, 2008) — posição por meio da qual o sujeito assume a função de autoria para enunciar sobre si mesmo e sobre o outro. No interior dessas práticas, o discurso sexual permanece sob o efeito da relação absurdo/evidência (Pêcheux, 2014), pois operam sob esse campo imaginários fortemente atados à cultura. Neste projeto, cujo horizonte teórico-metodológico é a Análise do Discurso Materialista, intento analisar as narratividades emergentes nos contos publicados do site contoseroticos.com, com o fito de problematizar a produção de obviedades e discrepâncias enquanto efeito da ideologia (Orlandi, 2020). A partir da discussão sobre as formas de narrar o desejo sexual postas em circulação no espaço digital, proponho uma escuta do sensível, na expectativa de alcançar analiticamente os efeitos dos discursos. A cartografia desses modos de enunciar na rede viabiliza o esboço da relação entre a Análise do Discurso, a Psicanálise e a Literatura, com vistas a compreender como o desejo emerge na tensão entre o inter e o intradiscurso (Courtine, 2009) e ganha corpo na textualização dos contos eróticos. Assim, para atingir materialmente o processo de elaboração do desejo no discurso, tomo o caminho da descrição e da interpretação (Pêcheux, 2015), em gestos que visam à montagem de arranjos linguístico-discursivos voltados à dessuperficialização do material linguístico. Na relação com o arquivo, sou balizado pelas seguintes perguntas de pesquisa: Qual é o funcionamento discursivo das categorias temáticas que organizam o site? Como os modos de dizer o desejo sexual se relacionam com o imaginário sobre o discurso sexual e produzem posições no interior desse discurso? Enquanto trabalho de entremeio (Orlandi, 2020), este projeto aponta para a imbricação entre o erótico e o pornográfico como sintoma do regime digital contemporâneo, enredando o sujeito e suas afetações, além de provocar te(n)são naquilo que é da ordem do real do desejo no discurso.