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Banca de DEFESA: CARLOS EDUARDO DE FREITAS BARBOSA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: CARLOS EDUARDO DE FREITAS BARBOSA
DATA : 07/08/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sala 201
TÍTULO:

O que a língua cospe: trajetos cínicos e perversos no discurso do ex-presidente Bolsonaro


PALAVRAS-CHAVES:

Discurso de Bolsonaro; (in)consciente; perversão; tomadas de posição; cinismo;


PÁGINAS: 209
RESUMO:

A presente pesquisa, fundamentada na Análise do Discurso pecheuxtiana, analisa os discursos do ex-presidente Jair Bolsonaro, em pronunciamentos públicos, realizados durante o seu mandato. Para dar conta do que aqui proponho, mobilizo noções teóricas como sujeito, esquecimentos, tomadas de posição, cinismo, perversão e argumentação, para que, a partir das análises, seja possível estabelecer se, de fato, há um funcionamento que se aproxima mais de uma ordem do consciente nos processos discursivos trabalhados nesta tese. Nesse sentido, o ponto de partida se dá a partir da noção da zona do rejeitado, proposta por Pêcheux (1969), para pensar como discursos, até então indizíveis, se tornam dizíveis no entrecruzamento do lugar social e do lugar de enunciação de presidente. O corpus desta tese é composto por um recorte temporal — pronunciamentos durante os anos do seu mandato — com foco nos discursos de cunho religioso, pronunciamentos que materializam a ideologia como um inimigo e que confrontam o saber científico. Por meio de recortes dos referidos pronunciamentos, os quais foram realizados pelo ex-presidente nos mais diversos ambientes e veículos, somos apresentados a dois tipos de discursos: os oficiais e os oficiosos, que são diferenciados pela maior liberdade de fala do ex-presidente em situações mais ou menos formais. Partindo, então, de noções como o cinismo, proposto por Baldini e Di Nizo (2015), a perversão como entendida por Freud (1927) e Roudinesco (2007), as fronteiras fluidas dos esquecimentos abordadas por Indursky (2019) e a argumentação como pensada por Orlandi (2024), traço um trajeto teórico-analítico que explora o funcionamento que se aproxima da ordem do consciente, e como tal funcionamento opera na seleção dos saberes no fio discursivo. O que observamos, a partir das análises realizadas, é que o discurso do ex-presidente opera pela destruição e reconstrução dos sentidos, num paradoxo em que o próprio lugar que lhe concede poder - o de Presidente - é também o lugar que deseja corromper, torcendo, assim, os limites da democracia. No jogo pelo controle dos sentidos, funciona o cinismo e a perversão, apontando para uma argumentação do caos, que opera sob o propósito da destruição do outro e da exploração dos limites das leis. Os funcionamentos discursivos aqui destacados buscam ressignificar sentidos e escrever uma versão da realidade em favor daquele que ocupa o lugar de presidente: seu papel não é o de líder democrático, mas, sim, o de um ditador inquestionável. Considerando a presença de uma instância consciente no processo discursivo, a proposta de uma nova tomada de posição demonstra que, nos funcionamentos cínicos e perversos — ainda que o sujeito seja constituído pelo inconsciente —, há um espaço, no entrecruzamento do lugar social e do lugar de enunciação, na relação do sujeito com a ideologia, que opera mais próximo do funcionamento consciente. De tal modo, o presente estudo demonstra que há um espaço para a exploração do funcionamento de um consciente na teoria e que este, como aqui analisado, se dá por meio de uma outra tomada de posição, além das teoricamente propostas, e que aqui chamo de forjidentificação, o que fundamenta a realização de discursos indizíveis do lugar de enunciação de Presidente.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1667608 - EVANDRA GRIGOLETTO
Interna - 1726965 - FABIELE STOCKMANS DE NARDI SOTTILI
Externo à Instituição - RUDA DA COSTA PERINI - UFES
Externa à Instituição - LUCIANA IOST VINHAS - UFRGS
Externa à Instituição - MARIA ALCIONE GONÇALVES DA COSTA - IFPE
Notícia cadastrada em: 07/07/2026 15:59
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