Expressões lexicais referenciais em editoriais de periódicos abolicionistas pernambucanos do século XIX
Referenciação; Argumentação; Expressões lexicais referenciais; Texto histórico; Século XIX
Esta pesquisa discute e analisa a referenciação enquanto processo de construção de textos (Penhavel; Cintra, 2022; Neves; Coneglian, 2023; Neves, 2011) a partir do qual os sujeitos enunciadores introduzem objetos-de-discurso (Mondada, 2022) em editoriais de periódicos marginais pernambucanos declaradamente abolicionistas do século XIX. Para tanto, procede a uma discussão teórica da referenciação do ponto de vista da Perspectiva Textual-Interativa (Penhavel; Cintra, 2022; Neves, 2020), da Linguística Textual (Cavalcante, 2022; Antunes, 2017; 2010; Marcuschi, 2008) e da natureza do texto histórico (Miranda, 2025). Nosso objetivo geral é compreender como as expressões lexicais referenciais revelam argumentativamente a imagem construída pelos sujeitos enunciadores sobre si mesmos nos editoriais analisados. Metodologicamente, destacamos as expressões lexicais referenciais que constituem as redes referenciais em quatro editoriais de periódicos marginais pernambucanos do século XIX, em suas edições de número 1, coletados junto ao acervo da Companhia Editora de Pernambuco, cuja reprodução ocorreu entre os cinco anos imediatamente anteriores ao ano da assinatura da Lei Áurea – período no qual este movimento atingiu seu ápice – a partir dos quais os sujeitos editorialistas marcaram seu posicionamento abolicionista e, argumentativamente, construíram uma imagem de si, de seu jornal e de seus interlocutores, o chamado ethos discursivo (Cavalcante, 2022). Os resultados apontam para o caráter textual-interativo da referenciação como um processo textual que opera em favor da argumentatividade dos textos (Amossy, 2018), revelando que as escolhas lexicais são o resultado da conjugação dos determinantes sociais, culturais e, sobretudo, históricos que assujeitam os interlocutores e, consequentemente, suas práticas discursivas, inclusive quanto à naturalização da violência praticada pela escravidão.