POR UMA POÉTICA DO RUÍDO: REPRESENTAÇÕES DA GUERRA DE BIAFRA EM CHINUA ACHEBE, CHINELO OKPARANTA E CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE
Achebe. Adichie. Okparanta. Poética. Ruído.
Este projeto objetiva analisar comparativamente as obras There was a country: a personal
history of Biafra, de Chinua Achebe (2012); Meio Sol Amarelo, de Chimamanda Ngozi
Adichie (2006); e Sob as Árvores Udalas, de Chinelo Okparanta (2023 [2015]). A pergunta
que conduzirá a pesquisa é a seguinte: De que modo a percepção de ruído nos auxilia no
entendimento da construção das narrativas que ecoam os males da Guerra de Biafra? Para
analisar esse aspecto nos romances dos escritores nigerianos em questão, centraremo-nos na
análise da construção da narrativa em torno do acontecimento histórico, em perspectiva a
Guerra de Biafra, a partir dos signos de oposição, voz (palavra) e ruído. Basearemo-nos,
majoritariamente, nas contribuições teóricas do filósofo Jacques Rancière (2016, 2021), de
Édouard Glissant (2005, 2011, 2024) de Patrick Chamoiseau (1997), entre outros. Visando
entender como a dicotomia proposta por Rancière (2016) entre voz e ruído, é possível voltar a
audição para outra poética, uma poética que questiona as vozes consolidadas no cânone
literário (voz), poetizando o cotidiano de uma nação fragmentada pelos interesses
hegemônicos. Enquanto contribuição para o campo dos estudos culturais, esta pesquisa
colabora para a área das análises anticoloniais, bem como para os estudos que dialogam com
a literatura e a história. Haja vista que tensiona a questão da Guerra de Biafra em diálogo com
autores de tempos de escrita distintos, pertencentes a gerações díspares, fornece, assim, um
fortalecimento da perspectiva crítica e intercultural voltada para a memória e para as
literaturas africanas.