VOZES DA INTERVENÇÃO BOLSONARISTA NO IFSC E ECOS DOS ASSUJEITAMENTOS UNISSONANTES AO FASCISMO
AD materialista; IFSC; Intervenção bolsonarista; Fascismo
Esta pesquisa foi desenvolvida com base na Análise de Discurso materialista e trata da Intervenção bolsonarista no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) como um fenômeno de assujeitamento ao fascismo em voga no governo federal à época. Para tal, evocam-se diversos autores não só da área da AD, mas especialmente do campo da sociologia, filosofia e psicanálise, com vistas a auxiliar no delineamento da prevalência do laço social perverso e suas consequências na contemporaneidade. Para além de Pêcheux; Althusser; Freud/Lacan; Orlandi, foram mobilizadas teorizações de autores como Almeida; Paxton; Quinet; Reich; Rocha; Souza, a partir dos quais são tecidos apontamentos acerca do movimento fascista/bolsonarista na discursividade dos embates sociopolíticos da luta de classes na sociedade brasileira. Ademais, na perspectiva teórica da AD, foi proposto, como categoria discursiva, um modo específico de assujeitamento que se utiliza do discurso cínico e de estratégias de mentir e colonizar para promover captura e domínio das subjetividades, ao qual se denominou sujeito clivado por forjadura, partindo das teorizações de Baldini; De Nardi; Di Nizo; Indursky; Merlin; Vinhas, dentre outras referências. Como objetivo geral, buscou-se analisar o funcionamento do discurso do sujeito-interventor durante o período que compreende a campanha eleitoral para a Reitoria, no ano de 2019, e sua “gestão”, de 2020 a 2021, quando aceitou efetivar a Intervenção bolsonarista no IFSC. Para tal, considerando noções como as de interdiscurso, formações discursivas e condições sócio-históricas de produção, fez-se, a partir de um trabalho de leitura do arquivo, a composição do corpus discursivo com sequências discursivas recortadas do material de divulgação utilizado durante o período das Eleições de 2019 à Reitoria, de manifestações de Rede social e das reuniões do Conselho Superior do IFSC. A seleção do material para análise foi orientada pelo intuito de: 1) investigar, no conjunto de materialidades em análise, traços de sua vinculação a um discurso bolsonarista/fascista; 2) identificar a prática de lawfare, a mentira institucionalizada como base do golpismo na Educação, semelhante à prática discursiva pré e pós-Golpe de Estado de 2016 no Brasil; 3) demonstrar o modus operandi do “cinismo como prática ideológica" no funcionamento discursivo do sujeito-interventor; 4) apresentar relatos das ocorrências de autoritarismo/silenciamento/censura efetivadas nas reuniões do Conselho Superior (ConSup), ao longo do processo de Intervenção; 5) constatar práticas antidemocráticas pós-Intervenção contra os técnicos-administrativos, abordando também situações de segregação, por meio de discurso discriminatório. A análise apontou para um processo de Intervenção realizado através da identificação ideológica com o fascismo/bolsonarismo, imbuído da mentira/cinismo/lawfare como estratégias de ludibriamento contra a Comunidade Acadêmica, com a finalidade de conferir ares de normalidade à ruptura democrática, evidenciando-se traços de fascistização no IFSC também no período pré e pós-Intervenção, principalmente com a subcategorização dos técnicos-administrativos em Educação.