ANTIGUIDADE E AUTORITARISMO:
A utilizacao de elementos da Antiguidade nos discursos nazistas (1930 - 1945)
Usos do passado; Alemanha nazista e Antiguidade Clássica; discursos.
O presente trabalho tem como proposta apresentar os usos do passado relacionados à Antiguidade Clássica na legitimação de discursos autoritários, com especial foco na Alemanha nazista. Para tanto, apresentamos alguns casos de utilização do passado clássico desde a Antiguidade, passando pela formação dos estados nacionais, quando os países europeus construíram uma relação com o passado antigo greco-romano. No início da relação Germânia-Antiguidade, os teóricos alemães desde o século XVIII buscavam romper com o estigma da barbárie que teria causado o colapso da cultura greco-romana. Com a unificação tardia da Alemanha, o passado clássico
antigo foi retomado para formar uma identidade nacional, servindo para solucionar o problema identitário, já que o país recém-formado reunia diversos grupos fragmentados. Ao longo desse processo, a Alemanha enfatizou sua suposta relação com a Grécia Antiga e numa força-tarefa que englobava os governos, intelectuais e a sociedade, os alemães reivindicaram para si o título de herdeiros da cultura grega e da raça ariana. Sistematizando elementos que já se faziam presentes entre a população, o regime nazista torna a questão racial seu elemento principal e através do modelo grego antigo, apresenta uma justificativa para legitimar sua ideologia da pureza de raças. A partir da investigação dos discursos, pretende-se analisar como esses elementos de ligação com a Antiguidade partiram dos estudos pessoais dos líderes nazistas e foram apresentados ao público.