NOS MEANDROS DO GOVERNO MUNIZ FALCAO (1956 - 1961):
processo de impeachment, relacoes de poder e pacto trabalhista em Alagoas.
Cultura Política; Muniz Falcão; Pacto Trabalhista; Impeachment.
Esta dissertação visa estudar a tentativa de impeachment do governador alagoano Muniz Falcão, e por meio dela, analisa as relações de poder em torno do seu governo (1956-1961) e as relações políticas de Muniz Falcão com as classes trabalhadoras alagoanas, utilizando-se como chave interpretativa a categoria de análise “Pacto Trabalhista”, formulada por Angela de Castro Gomes. Além disso, investiga-se como essas relações contribuíram para o descontentamento e anseios golpistas das classes empresariais e conservadoras alagoanas, que consequentemente, resultaram no processo de impeachment; a interferência de agentes políticos de outras regiões do país na disputa política de Alagoas e de que modo eles utilizaram da crise no estado para atender a interesses em disputas de nível nacional; de que forma os periódicos da Capital Federal, Rio de Janeiro, acentuaram ou minimizaram a crise política alagoana, possibilitando-nos entender como os discursos jornalísticos eram escritos, de forma a atender o interesse de determinada cultura política. A partir desta dissertação, pode-se concluir que: a cultura política do golpismo existente nos grupos udenistas na Terceira República (1945-1964) não estavam limitados apenas ao cargo do executivo nacional; que tal prática era realizada também contra cargos executivos estaduais; a crise política em Alagoas não foi apenas uma questão de disputa local, pois também houve impulsos de agentes políticos externos de outros estados, possuindo indícios também de interferência estrangeira; a classe trabalhadora alagoana protagonizou disputas políticas, realizou demandas ao governo e saiu em sua defesa nos momentos de ameaça golpista, sem ser cooptada pelo governo.