A RESISTÊNCIA FEMININA PELA ESCRITA: a Cidade das Damas (1405) e o Tesouro da Cidade das Damas (1405), de Christine de Pizan, como projetos de emancipação intelectual das mulheres
Christine de Pizan. Querelle des Femmes. Resistência Intelectual Feminina. Idade Média. Educação. Gênero.
Esta pesquisa analisa as obras A Cidade das Damas (1405) e O Tesouro da Cidade das Damas (1405) de Christine de Pizan (1364-1431) como projetos intelectuais de resistência feminina no contexto da Querelle des Femmes. Partimos do pressuposto de que a escrita de Christine não se limitou apenas a uma defesa reativa das mulheres, mas também a uma estratégia discursiva dupla para desmontar a misoginia erudita de seu tempo, personificada por Jean de Meun (1240-1305) em O Romance da Rosa (séc XIII). Através da análise comparativa entre essas três fontes, demonstramos como a intelectual produziu duas formas distintas de resistência, sendo a primeira a construção de uma utopia alegórica, que funda uma genealogia e um refúgio simbólico para as mulheres, e a segunda a elaboração de um manual prático, que oferece táticas cotidianas de sobrevivência e agência para as mulheres dentro das estruturas patriarcais. A partir disso, entendemos que Christine antecipou elementos centrais do pensamento feminista, ao compreender a educação não como um fim, mas como uma ferramenta fundamental de emancipação. Portanto, essa pesquisa examina como suas estratégias narrativas contestaram as bases misóginas da erudição de seu tempo, ressignificaram virtudes cristãs e propuseram uma reescrita da história a partir da experiência feminina.