Banca de QUALIFICAÇÃO: DEBORA GONCALVES BARBOSA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: DEBORA GONCALVES BARBOSA
DATA : 26/09/2025
LOCAL: videoconferência
TÍTULO:

"SALVE O REI, SALVE A RAINHA E SUA CORTE REAL": PERFORMANCES E SABERES NOS CORTEJOS E OFICINAS DE MARACATU-NACAO


PALAVRAS-CHAVES:

Maracatu-nação; cultura negra; aula-oficina; ensino de História.


PÁGINAS: 51
RESUMO:

O presente estudo tem como objetivo analisar como as ações educativas promovidas por grupos de maracatu-nação, no formato de oficinas, podem contribuir para a aprendizagem histórica. A pesquisa é guiada por duas questões centrais: "De que modo as oficinas de maracatu-nação colaboram para a compreensão da história do pós-abolição?" e "Como o ensino de História pode se articular com a cultura popular na construção de uma narrativa histórica que rompa com os padrões eurocêntricos?". A abordagem metodológica adotada tem um viés etnográfico, fundamentado nas experiências vivenciadas no Maracatu Leão Coroado, um dos maracatus-nação mais antigos em atividade, localizado em Olinda, Pernambuco. Além da observação direta, a pesquisa inclui a análise de entrevistas disponíveis no acervo do Laboratório de História Oral (LAHOI) e a consulta a matérias jornalísticas sobre a temática. Considerando que o maracatu-nação é uma manifestação cultural negra, a discussão teórica se insere em uma perspectiva decolonial e contracolonial, dialogando com autores como Franz Fanon, Antônio Bispo dos Santos, Lélia Gonzalez e Aníbal Quijano. A justificativa para esta pesquisa baseia-se na importância de investigar questões relacionadas à cultura negra, conforme estabelece a lei 10.639/2003, posteriormente ampliada pela lei 11.645/2008, que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Indígena nas escolas. Diante disso, a cultura popular configura-se em um campo fértil para a abordagem dessa temática. Assim, os saberes compartilhados nas oficinas de maracatu são significativos não apenas para a comunidade que os pratica, mas também para a construção da história, dada sua trajetória de luta, resistência e crítica social. Nesse sentido, a inclusão dessas práticas no ensino torna-se essencial, atuando como uma estratégia de salvaguarda de uma memória que esteve ameaçada, conforme indicavam as interpretações equivocadas dos folcloristas do século passado, que previam sua extinção. Portanto, integrar o maracatu-nação, assim como outros patrimônios negros, ao contexto escolar é um passo para romper com narrativas hegemônicas, ressignificar o ensino de História a partir da cultura popular e contribuir para a redução da intolerância religiosa e racismo.

 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 435419 - ISABEL CRISTINA MARTINS GUILLEN
Interna - 3160839 - ROSELY TAVARES DE SOUZA
Externo ao Programa - 2332928 - RICARDO PINTO DE MEDEIROS - UFPE
Notícia cadastrada em: 19/09/2025 15:29
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