Os silêncios das imagens:
a política das imagens fotográficas na construção de visualidades excludentes no Recife moderno (1909-1930)
cultura visual; fotografia; modernidade; racialização; Recife.
Esta dissertação investiga o papel das imagens fotográficas publicadas em revistas ilustradas recifenses entre 1909 e 1930 na construção de visualidades excludentes em um contexto marcado por intensas transformações urbanas e simbólicas. Em um Recife atravessado por discursos de modernização, civilização e progresso, as revistas Revista da Cidade, A Pilhéria, Mauricéia – Artes e Letras e Rua Nova atuaram como veículos de afirmação de um projeto urbano elitizado, ao mesmo tempo em que silenciaram ou marginalizaram, por meio de estratégias visuais sutis e reiterativas, sujeitos racializados e empobrecidos. A partir de um referencial teórico ancorado nos estudos da cultura visual, nos debates sobre modernidade e racialização, e nas reflexões críticas sobre a imagem, busca-se compreender como a fotografia — enquanto tecnologia, linguagem e prática social — operou na produção de sentidos e exclusões. A pesquisa propõe uma leitura atenta aos modos de ver promovidos por essas revistas, considerando as imagens em sua produção, circulação e recepção, bem como os discursos e estruturas que as sustentam. Ao explorar as ausências, os silêncios e os padrões compositivos que atravessam esse material visual, a dissertação problematiza os mecanismos pelos quais a modernidade recifense construiu seu imaginário visual às custas do apagamento de outras experiências urbanas e corporais.