Fazer-se historiador no Brasil Imperial: Abreu e Lima, 1843/46
História do Brasil Império; Historiografia Brasileira; Operação Historiográfica; Escrita da História; Segundo Reinado.
Nesta tese examino José Ignacio de Abreu e Lima como historiador do Brasil na década de 1840, localizando o seu processo de pesquisa e escrita na formação da historiografia brasileira e no início do Segundo Reinado. Meu objetivo foi analisar como ser historiador no Brasil significou não só aderir ao projeto político do Estado brasileiro e da sua monarquia, mas se inserir nas redes de burocratas imperiais, oficiais militares e elites econômicas, sociabilidades que se provaram decisivas para a escrita da história brasileira. Para isso, consultei uma documentação muito heterogênea, como manuscritos particulares, ofícios burocráticos, artigos jornalísticos, cartas e a produção historiográfica brasileira do século XIX. Metodologicamente, optei por analisar este Abreu e Lima historiador do Brasil a partir de suas condições sociais, econômicas e institucionais, que moldaram o seu fazer historiográfico naquelas primeiras décadas do Brasil independente. Apresento como a colaboração à escrita e a coleta de documentos em um país que ainda construía os seus primeiros arquivos, todavia, não foi o suficiente para borrar as discordâncias do que se entendia por história, do passado que poderia ser historicizado e, principalmente, de como deveriam ser a identidade e a nacionalidade brasileira. A tese evidencia que o exercício de historiador do Brasil nestes meados do século XIX significou assumir funções sociais naquele cenário de consolidação do regime monárquico brasileiro.