DA OLARIA À GALERIA: histórias e trajetórias de artesãos na cidade de Tracunhaém- PE entre 1947 a 1990.
Artesãos. Mediação Cultural. Cultura Popular. Museus. Capitalismo.
Esta tese conta a história dos artesãos de Tracunhaém-PE no recorte temporal de 1947 a 1990 a partir das mediações culturais que levaram as peças artesanais daquela cidade para museus, galerias, exposições e universidades, tornando-as conhecidas em âmbito nacional e internacional. A narrativa se dá através da história de vida dos artesãos Severino, Lídia Vieira, Zezinho e Nuca e como a agência que havia neles foi tão importante quanto a ação dos mediadores. A pesquisa se deu precipuamente pela consulta ao periódico Diario de Pernambuco o qual noticiou amplamente eventos culturais nos quais o artesanato de Tracunhaém-PE estava vinculado. No entanto, outras fontes e outros periódicos também foram muito importantes para a construção dessa história, tais como imagens, correspondências e história oral. Em 1947, o Brasil estava passando por transformações econômicas e culturais. Na economia, estava ocorrendo o processo de modernização, através da industrialização que foi estimulada pelo governo Vargas (1930-1945), a qual promoveu a substituição de importação, além, como desdobramento, a substituição de produtos artesanais por produtos industrializados. Culturalmente, na esteira do movimento modernista, iniciado em 1920 em São Paulo, a cultura popular é alçada à visibilidade na busca por uma identidade nacional. Assim, de 1947 em diante, artesanato figurativo ganha espaço em centros culturais adquirindo status de arte popular ao mesmo tempo que, pouco a pouco, tais elaborações manuais adentram galeria de arte e mercado turístico no Brasil.