DO SOLAR DO CONSELHEIRO AO MUSEU VIVO:
Narrativas da escravidão e abolição nas exposições do MAB (1983-2008)
Museu da Abolição. História dos museus. História das exposições. Memória da escravidão. Cultura Afro-brasileira.
Em 13 de maio de 1983, foi aberto ao público no Recife, no antigo solar do Conselheiro João Alfredo de Oliveira, Chefe do Gabinete que assinou a Lei Áurea em 1888, o Museu da Abolição (MAB). Localizado no Recife, o MAB é um museu público federal, administrado pelo Instituto Brasileiro de Museus e possui, atualmente, como missão institucional a preservação, pesquisa, valorização e difusão do patrimônio afro-descendente. Porém, nem sempre foi assim. Em sua criação, a instituição foi destinada a homenagear os abolicionistas pernambucanos Joaquim Nabuco e João Alfredo; e a princesa Isabel, personagens dos textos oficiais. O objetivo da presente tese é revisitar a exposição de inauguração (1983) e as exposições de reabertura do MAB (1996 e 2008), buscando entender como foi construída a narrativa sobre a memória da abolição da escravidão e, igualmente, a vida dos negros e negras aparecem nessas mostras. O trabalho é desenvolvido por meio da análise de imagens de vista de exposição, do catálogo da mostra e de periódicos do Recife, buscando, assim, compreender que memória da abolição foi e é construída por essa instituição. É fundamental discutirmos como foi forjada a memória da escravidão nos espaços públicos e museológicos do Recife entre os anos 1980 e 2000. Que memórias da escravidão/abolição foram construídas no MAB e quais suas implicações no debate sobre a identidade negra no Brasil? O trabalho será desenvolvido sob a égide das leis da escrita da história, sem improvisos e simulações e com duas compreensões basilares: entendendo que a exposição é o teatro de todas as questões que as obras trazem, sejam aquelas relacionadas às suas próprias qualidades ou às práticas sociais que lhes são associadas (Poinsot, 2016); e que os museus, como alerta Françoise Vèrger (2023), são pilares da narrativa nacional, vitrines do nível de civilização que o país alcançou.