MATERIALIDADE DA FÉ E FORMAÇÃO DA URBE: Patrimônio Eclesiástico e Formação Urbana do Recife (1654-1799)
Patrimônio Eclesiástico; Formação Urbana; Economia da fé; Espaço, Urbano; Recife.
Esta pesquisa analisa o papel das instituições religiosas na formação urbana do Recife (1654-1799), compreendendo a Igreja como agente estruturante das dinâmicas econômicas, políticas, sociais e espaciais. Parte-se da hipótese de que a materialidade da fé — expressa por meio do patrimônio eclesiástico, das práticas devocionais, das doações, legados e mecanismos de renda religiosa — constituiu um elemento central na organização da urbe, atuando diretamente na produção de centralidades, na expansão territorial, na hierarquização social do Recife. O trabalho investiga a atuação das ordens religiosas e irmandades não apenas como instâncias espirituais, mas como corporações dotadas de racionalidade econômica, inserção política e capacidade territorial, integradas aos circuitos urbanos e ao funcionamento da sociedade colonial. A pesquisa baseia-se na análise integrada de fontes documentais e cartográficas, especialmente Livros de Tombo, Inventários Patrimoniais, Livros de Receitas e Despesas, escrituras, testamentos, articuladas à cartografia histórica da cidade. O cruzamento dessas fontes possibilita a espacialização do patrimônio religioso nos núcleos dos atuais bairros do Recife, Santo Antônio, São José e Boa Vista. Metodologicamente, o trabalho combina análise documental, abordagem histórico-institucional e leitura espacial, integrando história urbana, social e religiosa, e compreendendo o patrimônio eclesiástico como estrutura territorial ativa, inserida nas dinâmicas da economia urbana e da economia da fé, evidenciando a Igreja como agente fundamental na organização e conformação do Recife colonial.