O PROBLEMA DA PERSISTÊNCIA DO MAL Em Emmanuel Levinas
Persistência do Mal; Emmanuel Levinas; Ética da Alteridade; Ontologia; Interrupção.
Esta dissertação investiga o problema do mal na filosofia de Emmanuel Levinas, com foco na questão da persistência, por que o sofrimento gratuito se repete na história apesar do progresso filosófico, técnico e científico. A tese central sustenta que o mal persiste porque o ser persiste: a ontologia, compreendida como Conatus Essendi (perseverança cega no ser) e il y a (anonimato impessoal do ser), é a estrutura que gera e reitera a violência. A ética da alteridade, contudo, oferece uma interrupção dessa persistência, não como solução ou nova teodiceia, mas como suspensão precária da lógica ontológica pela responsabilidade assimétrica pelo Outro. O percurso divide-se em quatro capítulos: o primeiro reconstrói a génese do pensamento levinasiano e seus conceitos fundamentais; o segundo analisa os ensaios “Transcendência e Mal” e “O Sofrimento Inútil”, descrevendo o mal como excesso qualitativo, passividade inassumível e inutilidade; o terceiro examina o colapso da teodiceia no século XX, com Auschwitz como paradigma, contrasta as leituras “eventuais” do mal em Nemo, Marion e Fabri e propõe uma mediação entre ontologia e história; o quarto desenvolve a resposta ética como interrupção, explorando a substituição, a assimetria da responsabilidade e a tensão entre o inter-humano e o político. A contribuição original reside na ênfase sobre a dimensão persistente do mal, em contraste com as abordagens que privilegiam apenas sua irrupção.