Por uma fenomenologia do sublime
Fenomenologia; Estética; Sublime; Mikel Dufrenne; Sublime Patético.
O trabalho analisa a estética fenomenológica de Mikel Dufrenne, destacando sua ênfase na relação íntima entre homem e mundo mediada pelo sensível. A fenomenologia estética, herdeira de Husserl e Merleau-Ponty, é compreendida como experiência de presença e revelação, em que o objeto estético se manifesta como “quase-sujeito”, portador de sentido próprio. Dufrenne valoriza a expressividade da natureza e a harmonia originária entre sujeito e mundo, recusando elementos que perturbem essa relação, como o sublime tradicional, associado ao inumano e à desarmonia. O estudo mostra como nomes como Maryvonne Saison e María del Pilar Aumente Rivas interpretam essa recusa: Saison enfatiza a dimensão poética e reconciliadora da estética dufrenniana, enquanto Rivas aponta sua crítica ao sublime como elitização da arte, propondo a “dessublimação” como alternativa. Contudo, o trabalho sugere que o sublime, embora marginal em Dufrenne, pode ser repensado à luz do conceito de “sublime patético” de Friedrich Schiller. Essa reformulação desloca o sublime para o campo da arte trágica, permitindo uma experiência estética de desarmonia produtiva, sem romper com o fundamento fenomenológico da co-naturalidade entre homem e mundo. Assim, o sublime patético abre espaço para uma fenomenologia ampliada, capaz de integrar o trágico e o excesso sensível como experiências limite da estética. Assim, após reconstrução da fenomenologia estética de Dufrenne, e uma análise crítica da condição contemporânea do sublime e sua marginalidade em Dufrenne, o trabalho se volta à articulação do sublime patético schilleriano como resposta conceitual ao problema da desarmonia, a fim de prolongar a fenomenologia estética, conciliando sensibilidade, poesia e tragédia como dimensões fundamentais da experiência estética.