IMPACTOS DA COBERTURA VEGETAL E DO PASTOREIO SOBRE A MATÉRIA ORGÂNICA E ATRIBUTOS DO SOLO
Semiárido do Brasil; Exclusão de pastejo; Frações húmicas; Indicadores edáficos; Vegetação nativa
A degradação dos solos em regiões semiáridas está frequentemente associada às mudanças no uso da terra, especialmente em ecossistemas frágeis como a Caatinga. Este estudo analisou os impactos de diferentes usos da terra sobre os atributos físicos, químicos e isotópicos do solo, com ênfase nas frações da matéria orgânica, em seis municípios do semiárido pernambucano. Foram avaliadas parcelas sob vegetação nativa e pastagens, com e sem exclusão de animais, ao longo de cinco anos. Os parâmetros incluíram pH, CTC, carbono orgânico total (COT), frações húmicas, isótopos estáveis (δ¹³C, δ¹⁵N) e relação C/N. As áreas de Caatinga Fechada apresentaram melhores indicadores de qualidade edáfica, com maiores teores de COT (1,64–2,51 dag kg⁻¹), humina (1,01–1,88 dag kg⁻¹) e CTC (10,16–20,82 cmolc kg⁻¹), além de valores de δ¹³C (-26,02 a -23,80‰) que indicaram predominância de espécies C3 e maior estabilidade da matéria orgânica. Nas áreas de Caatinga Aberta, os valores foram intermediários, enquanto as pastagens apresentaram os menores teores de COT (0,76–1,16 dag kg⁻¹), humina (0,43–0,83 dag kg⁻¹) e CTC (4,83–10,15 cmolc kg⁻¹), refletindo maior degradação. As menores relações C/N (9,36–9,74) nas pastagens indicaram intensa mineralização e perda de nitrogênio. Conclui-se que práticas conservacionistas, como a exclusão de animais e a preservação da vegetação nativa, favorecem o acúmulo de carbono e a estabilidade da matéria orgânica, sendo essenciais à sustentabilidade dos solos da Caatinga.