BIODIGESTÃO DE BIOMASSA DE PALMA FORRAGEIRA EM REATORES BATELADA E CSTR
Digestão Anaeróbia; Palma forrageira; Metano; Bio-hidrogénio; Semiárido
A transição energética é um imperativo global, especialmente no Nordeste brasileiro, onde a escassez hídrica limita a biomassa. Esta tese investigou o potencial da palma forrageira (variedade Orelha de Elefante Mexicana) para produção de biogás, avaliando seu desempenho em regimes de batelada e contínuo. A caracterização química indicou alta digestibilidade teórica, com 82% de sólidos voláteis e baixa lignina (6,4%). Na etapa de batelada, ensaios de Potencial Bioquímico de Metano testaram cargas de 5, 10 e 15 g SV L⁻¹. A carga de 5 g SV L⁻¹ obteve o melhor rendimento (0,391 L g⁻¹ SV⁻¹) e qualidade de metano (63,8%), com adaptação microbiana confirmada via análise metagenômica. Em contraste, a operação em Reator Contínuo (CSTR) revelou uma mudança de paradigma. O aumento da carga orgânica induziu a acidificação do sistema (pH 5,32–6,15) e inibiu a metanogênese, desviando o metabolismo para a via acidogênica. O biogás gerado apresentou predominância de CO₂ e H₂ (até 13,86%), com metano residual (<1%). Conclui-se que a palma forrageira possui duplo potencial biotecnológico: eficiente para produção de metano em batelada, mas intrinsecamente propensa à geração de bio-hidrogênio e ácidos orgânicos em fluxo contínuo, abrindo novas perspectivas para a bioeconomia no semiárido.