AVALIAÇÃO DO RISCO ASSOCIADO AOS RADIONUCLÍDEOS CONTIDOS NA CARNE DE FRANGO DE CORTE INDUSTRIAL COMERCIALIZADA NO MUNICÍPIO DE RECIFE-PE
Radionuclídeos naturais; Exposição interna; Dose efetiva comprometida; Risco de câncer.
A caracterização e quantificação de radionuclídeos em alimentos permitem avaliar potenciais fontes de contaminação, sendo a ingestão uma via importante de exposição interna à radiação ionizante. Este estudo avaliou a dose e o risco decorrentes da ingestão de carne de frango comercializada em supermercados do Recife-PE, com base na determinação das atividades específicas dos radionuclídeos, no cálculo da dose efetiva comprometida anual e na estimativa do risco de neoplasias associadas. Utilizando espectrometria gama com detector HPGe (High Purity Germanium), foram identificados os radionuclídeos ⁴⁰K, ²²⁶Ra e ¹³⁷Cs, cujas concentrações variaram, respectivamente, de 43,66 a 84,51 Bq·kg⁻¹, 0,41 a 0,50 Bq·kg⁻¹ e 0,005 a 0,05 Bq·kg⁻¹. A dose efetiva anual variou de 23,32 a 55,88 µSv·ano⁻¹ para indivíduos de 10, 15 anos e adultos, valores bem abaixo do limite de 1 mSv·ano⁻¹ recomendado pela ICRP (International Commission on Radiological Protection), indicando ausência de risco radiológico significativo à saúde pública. O ⁴⁰K foi responsável por cerca de 70% da dose anual em adultos, apresentando a maior atividade específica média. O risco de câncer devido à ingestão de ²²⁶Ra foi estimado em 1,05 × 10⁻⁷ pessoa⁻¹·ano⁻¹ para carcinoma craniano e 7,71 × 10⁻⁸ pessoa⁻¹·ano⁻¹ para sarcoma ósseo, permanecendo abaixo dos limites de aceitabilidade definidos pela ICRP