AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO BIOLÓGICA DE K-ESTRUVITA E ESTRUVITA A PARTIR DA VINHAÇA DE CANA-DE-AÇÚCAR POR Bacillus tropicus, Paenibacillus alvei E Bacillus sp.
Biotecnologia; Remoção de nutrientes; Fertilizantes de liberação lenta
O Brasil é o maior produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar, cuja produção gera grandes volumes de vinhaça, efluente rico em matéria orgânica e nutrientes, com elevado potencial poluidor quando aplicado in natura no solo. Paralelamente, a crescente demanda por alimentos e biocombustíveis amplia a necessidade de fertilizantes minerais, especialmente de fósforo (P) e potássio (K), obtidos a partir de recursos não renováveis. Nesse contexto, este estudo avaliou, de forma pioneira, a coprodução biológica de estruvita (MgNH₄PO₄·6H₂O) e K-estruvita (MgKPO₄·6H₂O) a partir de vinhaça sintética, utilizando bactérias dos gêneros Bacillus e Paenibacillus. Os experimentos foram conduzidos em biorreatores aeróbios, em frascos de sacrifício, a 30 °C e 150 rpm, por 10 dias. Foram avaliados o crescimento microbiano, o pH, o consumo de sacarose, a remoção de matéria orgânica e a formação de precipitados. A vinhaça 3, suplementada com ureia e cloreto de magnésio, foi a única formulação a apresentar cristais. O consumo de sacarose foi superior a 80%, com redução da demanda química de oxigênio de 69%. Os cristais surgiram no 6° dia, e a espectroscopia de energia dispersiva de raios X confirmou a composição elementar compatível com os cristais de interesse, enquanto a difração de raios X confirmou suas estruturas cristalinas, evidenciando o potencial da pesquisa para a recuperação de nutrientes, a valorização da vinhaça e a contribuição para a segurança energética e alimentar brasileira.