VARIAÇÕES ELEMENTARES E ISOTÓPICAS DE CARBONO E NITROGÊNIO FOLIAR EM MANGUEZAIS DO NORDESTE DO BRASIL
Ecologia Isotópica; Isótopos Estáveis; Impacto Antrópico
Este estudo investigou a ciclagem biogeoquímica do carbono (C) e do nitrogênio (N) em manguezais do Maranhão, Bahia e Pernambuco. Analisou-se a composição elementar e isotópica (δ13C e δ15N) das folhas de Rhizophora mangle, Avicennia spp. e Laguncularia racemosa, coletadas em transectos ao longo do gradiente de inundação. As análises foram realizadas por Espectrometria de Razão Isotópica (IRMS) e processadas no ambiente R via métodos multivariados e modelagem preditiva (CART).
A PERMANOVA demonstrou um efeito macroregional significativo do fator Estado (R² = 0,290; p < 0,0001), evidenciando centroides multivariados distintos. Os valores de δ13C foliar refletiram adaptações na eficiência no uso da água: o Maranhão apresentou menor estresse osmótico devido ao forte aporte fluvial e macromarés, enquanto Bahia e Pernambuco exibiram sinais mais enriquecidos em δ13C. Por sua vez, o δ15N funcionou como um robusto biomarcador de pressão antrópica (R² = 0,578), sugerindo contaminação por efluentes urbanos e enriquecimento nutricional artificial nas áreas densamente povoadas de Pernambuco.
O modelo CART obteve acurácia global de 0,971, elegendo a densidade de carbono foliar (D.C ≥ 25) como o atributo funcional mais plástico para isolar os bosques baianos. Conclui-se que a variabilidade biogeoquímica dos manguezais nordestinos é estruturada por gradientes espaciais e condicionantes macroambientais regionais. O trabalho consolida a ecologia isotópica como ferramenta diagnóstica indispensável para o monitoramento, a conservação costeira e a gestão do "carbono azul" frente às pressões antrópicas e climáticas