RESÍDUOS DE ALIMENTOS E A VARIABILIDADE DA MATÉRIA-PRIMA: INTEGRAÇÃO DE ROTAS PARA A PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEIS
Resíduos sólidos orgânicos; bioeconomia circular; aproveitamento energético
A geração de resíduos de alimentos (RAs) no mundo demanda destinação adequada, pois sua decomposição emite gases de efeito estufa. Nesse contexto, os RAs podem ser aproveitados em biorrefinarias para produção de energia e biocombustíveis. Este trabalho avaliou a produção integrada de bioetanol e biogás a partir de RAs. A variabilidade da composição química de 163 amostras foi analisada por estatística descritiva, considerando cinco regiões e quatro fontes de geração. Observou-se alta variabilidade (CV > 30%) para carboidratos, proteínas, amido e lipídios, o que pode reduzir a eficiência dos processos e gerar perdas econômicas. Três locais distintos foram selecionados para coleta de 11 amostras ao longo de um ano. A composição dos macrocomponentes apresentou CV > 30% em todas as amostras, e apenas seis mostraram semelhança estatística. Houve correlação linear entre carboidratos e rendimento da hidrólise ácida, porém não com o rendimento de etanol, que variou de 0,01 a 0,14 kg/kg RA. Para maximizar o aproveitamento energético, propôs-se uma rota integrada de bioetanol e biogás. A hidrólise com ácido sulfúrico 1,5% (v/v), por 1 h a 127°C, apresentou rendimento de 0,57 ± 0,05 g glicose/g resíduo. A fermentação com S. cerevisiae produziu 22,23 ± 0,06 g/L de etanol em 24 h. O BMP da fração sólida foi 140,58 ± 17,49 NmLCH₄/gSV, 78% superior ao material não tratado. A energia recuperada foi 7,12 GJ/tonRA, indicando a viabilidade da rota proposta.