Como estudar sociedades africanas sem reproduzir categorias coloniais? Uma análise de obras de Elísio Macamo e Achille Mbemb
Achille Mbembe. África. Colonialismo. Elísio Macamo. Modernidade.
Esta tese discute a construção do conhecimento sobre a África nas Ciências Humanas e Sociais, metodologicamente situada no campo da sociologia do conhecimento. Autores como V. Y. Mudimbe denunciam a existência de uma “biblioteca colonial”, isto é, um conjunto de saberes produzidos pelo Ocidente que definiram a África como objeto, dentro de uma lógica sujeito/objeto e de perspectivas evolucionistas. O trabalho propõe refletir criticamente sobre as condições de produção do conhecimento a partir da análise das obras do sociólogo moçambicano Elísio Macamo e do filósofo camaronês Achille Mbembe. A autora parte de uma perspectiva situada, reconhecendo seus próprios limites enquanto pesquisadora brasileira, e busca compreender como esses intelectuais problematizam as relações entre conhecimento, modernidade e colonialismo na construção da ideia de África. A tese está organizada em três capítulos: o primeiro discute África como conceito em disputa e como “Outro” do Ocidente; o segundo aprofunda o papel do colonialismo e da modernidade na formação dos conhecimento sobre as sociedades africanas nas Ciências Sociais; e o terceiro analisa as críticas elaboradas por Macamo e Mbembe, investigando se e como suas abordagens contribuem para repensar as bases epistemológicas do conhecimento e abrir caminhos para uma produção de conhecimento descolonizada sobre o continente africano.