RAÇA E IDENTIDADE: A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO BRANCO E DA BRANQUITUDE NAS OBRAS DE FLORESTAN FERNANDES
Florestan Fernandes. Branquitude. Raça e identidade. Pensamento social.
O presente trabalho tem como objetivo compreender como é construído o sujeito branco dentro de duas obras de Florestan Fernandes, a fim de identificar, a partir da branquitude como chave de leitura, como o autor compreende e situa a questão do branco no dilema racial, mostrando seus limites e alcances de maneira histórica e contemporânea. A partir das obras A integração do negro na sociedade de classes (2021 [1964]) e O negro no mundo dos brancos (2007 [1972]), cujo autor focaliza no negro seu objeto analítico, buscamos inverter esta lógica, tensionando novos olhares ao dimensionar como objeto e categoria analítica de análise o sujeito branco. Para tal empreitada, recorreremos à noção de triangulação metodológica, amparada pelas correntes da Sociologia do Conhecimento de Karl Mannheim (1972, 2013), das noções de Imaginação Sociológica e Artesanato Intelectual de Charles Wright Mills (1965) e por último, da perspectiva da sociologia como forma de arte do Robert Nisbet (2000). Juntas estas três perspectivas vão nos propiciar um arcabouço e flexibilidade necessária para um modo de leitura específico das obras de Fernandes, onde buscamos uma imersão teórica em seus argumentos a fim de identificar como é construído, lapidado e dimensionado esse sujeito dentro de suas obras. Não obstante, utilizaremos para apresentar e analisar os dados obtidos a partir da leitura-análise da triangulação metodológica, a análise de conteúdo de cunho temática (Gomes 2013; Rosenthal, 2014). Assim, buscamos identificar a partir desta análise como a sociologia de Florestan Fernandes pensou a questão situando os sujeitos brancos dentro das relações raciais e dos impasses em relação ao racismo no Brasil.