PRODUÇÃO AUDIOVISUAL DO COLETIVO FULNI-Ô DE CINEMA: representações de uma identidade indígena em Pernambuco
Povos indígenas. Fulni-ô. Cinema. Giro decolonial latino-americano. Teorias indígenas do Bem Viver. Representações sociais.
Iniciativas de produção audiovisual por realizadores indígenas são consideradas uma ferramenta de embate narrativo, com traço pedagógico para romper estereótipos e promover acesso a informações sobre diversos modos de viver, além de fortalecer as próprias comunidades. Assim, o presente estudo visa a investigar a produção audiovisual do Coletivo Fulni-ô de Cinema - organização indígena do interior de Pernambuco -, compreendendo suas possíveis contribuições e a identidade indígena nela representada. Como objetivos específicos traçamos: mapear os curtas e médias-metragens produzidos; analisar as temáticas tratadas nas obras; identificar se há perspectivas e enfoques divergentes e opostos ao modelo de sociedade colonial ocidental, e quais seriam. Para tanto, a presente pesquisa baseia-se na etnografia da tela proposta por Rial (1995) e em enfoques da sociologia da imagem desenvolvida por Cusicanqui (2015). O referencial teórico tem como autores fundamentais: Quijano (2005), Lander (2005), Calvet (2007), Shohat e Stam (2006) e Krenak (2019). Foram analisados os filmes: Yoonhale - a palavra dos Fulni-ô (2013, 45min), Guardiões de um Tesouro Linguístico (2021, 15min), e Xixiá, mestre dos cânticos Fulni-ô (2022, 20min). Encontrou-se uma identidade indígena dividida entre dois mundos, mas com fortes distinções entre eles, uma centralidade no conteúdo referente à língua nativa Yaathe, bem como na importância das memórias e histórias contadas pelos anciãos para a comunidade.