MEDO, VIOLÊNCIA URBANA E AUTORITARISMOS: O QUE PENSAM OS ISENTOS
Medo; insegurança; autoritarismo; punitivismo; ideologia.
O trabalho procura compreender de que forma o medo e a insegurança em relação à violência urbana funcionaram como via por onde se infiltra a demanda por autoritarismo no processo recente de desdemocratização. De forma mais específica, buscamos compreender a adesão a Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 através das categorias do medo e da insegurança. Empiricamente, isso foi buscado mediante uma análise do corpus de entrevistas coletadas com um grupo específico de pessoas dentre aquelas que aderiram a Jair Bolsonaro em 2018: os “isentos”, aqueles que ainda que tenham votado nele, não se consideram bolsonaristas e não se identificam com nenhum dos lados do espectro ideológico. Tendo isso em mente, foram estabelecidos dois objetivos principais: (1) Compreender a permeabilidade a ideias autoritárias entre pessoas que se consideram “isentas” em termos de posicionamento político, mas optaram por aderir a Bolsonaro nas eleições de 2018; (2) Compreender de que forma a recente guinada política autoritária tem repercutido nas narrativas de insegurança e medo dos indivíduos, e se teria reforçado o apoio ao punitivismo. Como resultado, foi identificado que as pautas punitivistas não teriam sido o fator principal de adesão entre este segmento de eleitores, ainda que parte deles concordasse parcialmente com algumas delas ou tivesse expectativa positiva a seu respeito. Também foi identificado que ao longo dos anos do governo de extrema-direita, teria havido a normalização de alguns dos discursos defendidos pelo ex-presidente, embora seu governo tenha sido avaliado negativamente por todo o grupo, mesmo os que mantiveram a adesão no pleito seguinte.