Redes Transnacionais Antigênero e as Disputas por Infância, Família e Futuro
Direitos reprodutivos; familismo; futurismo; movimentos transnacionais; sociologia política internacional.
A pesquisa pretende analisar como redes transnacionais antigênero disputam as noções de infância, família e futuro para incidir sobre agendas e decisões na política internacional, no período entre 2012 e 2025. A pesquisa examina a circulação de discursos, documentos e intervenções públicas produzidos por atores religiosos, políticos e institucionais, com atenção às suas conexões transnacionais. A hipótese preliminar sustenta que essas redes vinculam infância, família e futuro a categorias como nação, desenvolvimento e soberania, convertendo premissas morais em enunciados politicamente acionáveis e ampliando sua circulação entre diferentes arenas. Essas redes consolidaram uma gramática moral centrada na proteção da família e da infância, articulando diferentes tradições e ideologias conservadoras em torno de disputas pela reprodução social e pela reconfiguração do Estado em contextos de crise. O estudo combina entrevistas semiestruturadas e pesquisa documental, articuladas a uma crítica queer e à análise de discurso materialista assistida por ferramentas computacionais, com uso do software RStudio. O corpus inclui materiais produzidos por organizações como o Foro de Madrid, partidos como o Vox e atores ligados ao Vaticano, bem como à ascensão do nacionalismo conservador na política estadunidense, associada a Donald Trump.