FORMAÇÃO INICIAL DOCENTE NO CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – Disputas pela fixação do sentido da formação para a docência
Licenciatura; Sociologia; disputas de sentido; currículo; reforma do ensino médio
A formação inicial de professores é tema recorrente no âmbito da educação e a formação de professores de Sociologia para a educação básica é um tema que vem sendo discutido na pesquisa sobre o Ensino de Sociologia no ensino médio, que ganhou mais ênfase a partir da reintrodução da disciplina com vigência da Lei No 11.684, de 2 de Junho de 2008, que altera o art. 36 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996), o qual incluiu a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos do ensino desse segmento. No entanto, a conjuntura pós-impeachment reabriu uma série de disputas sobre a permanência da Sociologia no currículo do ensino médio, no contexto do projeto de reforma desta etapa da educação básica, que levou a um novo desenho em 2017, através da Lei 13.415, e a grandes indefinições até que, em 2024, vários pontos da lei foram modificados, não alterando, porém, a proposta curricular para a Sociologia no ensino médio substantivamente. No entanto, persiste uma clara discrepância entre a formação docente inicial (licenciatura) e o novo desenho, já em implementação, percebida tanto por licenciandos/as quanto por docentes do ensino médio. Esta pesquisa pretende abordar as disputas pela fixação dos sentidos da formação docente em Sociologia na Educação Básica, tomando o caso do Estado de Alagoas e observando as incongruências que possam existir nos modelos formativos exigidos (1) pelos documentos oficiais nacionais e estaduais que normatizam a docência; (2) pela formação profissional dos egressos e estudantes do curso de Licenciatura em Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas, bem como a percepção que têm formandos/as e docentes sobre a licenciatura em ciências sociais. A metodologia terá uma abordagem qualitativa, a partir de dados documentais, entrevistas e grupos focais,tratados a partir daanálise do discurso de linha francesa. A base teórica adotada é a teoria do discurso pós-estruturalista desenvolvida por Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, em diálogo com várias apropriações feitas no campo da educação e da sociologia da educação. Partindo do pressuposto que o discurso não é uma camada superficial de linguagem, a discursividade é vista como uma condição ontológica, parte do próprio ser das coisas, e constitutiva da realidade social, tal como ela é experienciada.