Precisao ou ilusao? Analisando sociologicamente o conflito do reconhecimento facial em Recife
Reconhecimento facial, segurança pública, racismo algorítmico, vigilância, movimentos sociais.
Esta dissertação analisa a implementação de tecnologias de reconhecimento facial em Recife, destacando os conflitos gerados pela licitação de 108 relógios digitais com câmeras de vigilância. O estudo parte da premissa de que avanços tecnológicos na segurança pública, embora apresentados como neutros, reproduzem desigualdades estruturais, especialmente em contextos marcados por racismo e exclusão social. A pesquisa evidencia como os bancos de dados criminais, alimentados por vieses humanos e institucionais, perpetuam a criminalização de populações marginalizadas, em especial a população negra, grupo mais encarcerado no Brasil. A metodologia combina revisão bibliográfica multidisciplinar (incluindo sociologia, estudos críticos de tecnologia e a teoria do conflito), análise de documentos públicos (editais, portarias) e material produzido por grupos opositores. O trabalho revela que a adoção dessas tecnologias ocorre sem transparência ou debate sobre impactos éticos, naturalizando práticas de vigilância massiva. Além disso, a escassez de literatura sobre o caso específico no Brasil posiciona esta pesquisa como contribuição pioneira, capaz de subsidiar políticas públicas e futuros estudos. Conclui-se que o caso de Recife ilustra dinâmicas globais: a tensão entre eficiência técnica e direitos humanos, a racialização da vigilância e a resistência de movimentos sociais. Ao centrar vozes marginalizadas, a proposta da dissertação é desafiar narrativas hegemônicas e propor uma reflexão crítica sobre o capitalismo de vigilância, destacando a urgência de regulamentações que contemplem justiça social.