CIDADANIA ÍNTIMA E SEXUALIDADE DE MULHERES COM DEFICIÊNCIA FÍSICA: PERCEPÇÕES, VIVÊNCIAS E DIREITOS
mulheres; deficiência; corpos; emoções; sexualidade
Muitos são os dispositivos de poder em nossa sociedade a nos dizer o que somos e, principalmente, como deveríamos ser. Na área médica, o corpo com deficiência surge ao ser analisado em comparação a um corpo sem deficiência; observam-se os fatores biológicos, as diferenças estruturais, assim, o que interessa ao modelo médico é a lesão. Em decorrência dessa análise, surge a diferenciação entre o que seria “normal” e “anormal” e, para muitos, a deficiência não passaria de uma tragédia pessoal biológica, denotando um comportamento preconceituoso e/ou de pena para com essas pessoas. Portanto, um corpo com algo considerado como uma deficiência, não é historicamente visto como desejável. A sexualidade traz uma forma de se relacionar não apenas com os outros, mas também consigo mesmo, portanto, perpassa as dimensões biológicas, psicológicas e socioculturais e é essencial para a própria identidade. Tendo em vista que os padrões corporais e de beleza atingem ainda mais as mulheres, esse trabalho busca analisar a intimidade da mulher com deficiência física, no que se refere a sua sexualidade, observando sua relação afetiva e emocional com o corpo e com o ambiente social, tendo como base as experiências e trajetórias de vida destas mulheres. Nesta perspectiva, nossa tese ajuda a aprofundar a leitura sociológica sobre o corpo e as emoções, permitindo compreender como as subjetividades femininas interferem na imagem de si e na construção política da identidade e da cidadania.