O PODER SIMBÓLICO DAS FAMÍLIAS ARRAES-CAMPOS NAS CAMPANHAS ELEITORAIS DA NOVA GERAÇÃO DE POLÍTICOS DE PERNAMBUCO
Poder Simbólico, Família Arraes-Campos, Campo Político, Propagandas Eleitoriais.
Esta pesquisa analisa a reprodução do poder simbólico das famílias Arraes-Campos por meio das propagandas eleitorais de João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT), primos que disputaram a Prefeitura do Recife na eleição de 2020. Parte-se do pressuposto de que o capital simbólico não é patrimônio estático transmitido entre gerações, mas depende de reconhecimento continuamente produzido. A abordagem qualitativa combina três procedimentos: análise documental; análise de trajetória (BOURDIEU, 2006); e análise das estratégias do discurso multissemiótico (TAVARES, 2022), articulada às noções de denotação e conotação de Barthes (2006). O referencial teórico apoia-se em Bourdieu (1989; 1996a; 1996b; 1999; 2006; 2011), Oliveira (2018), Monteiro (2016) e Canêdo (2024). Os resultados indicam que esse capital, construído desde a trajetória de Miguel Arraes, sustenta-se por meio de mecanismos articulados de reprodução, com as alianças matrimoniais com famílias tradicionais, ocupação de cargos importantes da burocracia estatal, controle da estrutura partidária e inscrição dos sobrenomes em equipamentos públicos. Nos materiais de propaganda eleitoral de 2020, a legitimação dos herdeiros opera sobretudo por vias não verbais, mediante uso de cores, imagens e lemas historicamente associados a Miguel Arraes e Eduardo Campos, que produzem reconhecimento sem enunciar a própria operação, naturalizando a sucessão familiar como vocação e continuidade de um projeto coletivo.