A CONDIÇÃO DE INFORMALIDADE: HABITUS, DISPOSIÇÕES, REGIMES DE JUSTIFICAÇÃO E RECONHECIMENTO NO COMÉRCIO AMBULANTE DO METRÔ DO RECIFE.
Recife; Comércio informal; sociabiilidades
Esta tese analisa o comércio ambulante no metrô do Recife a partir de uma abordagem que articula sociologia pragmática e teoria do reconhecimento, buscando compreender como a informalidade se estrutura não apenas como condição econômica, mas como campo moral de disputas normativas. A pesquisa baseia-se em etnografia prolongada, observação participante e entrevistas com trabalhadores ambulantes, privilegiando a análise das interações cotidianas entre vendedores, passageiros, seguranças e agentes estatais. O estudo demonstra que o trabalho informal é sustentado por regimes de justificação que mobilizam princípios morais associados ao trabalho honesto, à responsabilidade familiar e à dignidade individual. Ao mesmo tempo, evidencia que as abordagens fiscais e intervenções repressivas configuram momentos críticos de desreconhecimento, nos quais se confrontam racionalidades normativas distintas: a legalidade jurídico-burocrática do Estado e a moralidade prática do trabalho de sobrevivência. Com base na teoria do reconhecimento de Axel Honneth, argumenta-se que a permanência da informalidade não se explica exclusivamente pela ausência de alternativas estruturais no mercado de trabalho, mas também pela produção intersubjetiva de formas mínimas de estima social que tornam essa condição socialmente habitável. A tese sustenta que a informalidade no metrô constitui um espaço de reconstrução moral, no qual os sujeitos buscam preservar autoestima, autorrespeito e legitimidade pública diante da precariedade material e da instabilidade institucional. Ao articular reconhecimento, regimes de justificação e conflito normativo, o trabalho contribui para ampliar o debate sociológico sobre informalidade urbana, deslocando-o de uma interpretação estritamente econômica para uma análise que integra dimensão moral, política e interacional da reprodução da precariedade.