ENTRE O CAPITAL SIMBÓLICO E O PÓS-FACTUAL: Bolsonarismo, pandemia e a disputa pela verdade na esfera política brasileira
Pandemia de COVID-19; Jair Bolsonaro; Fake news; Capital simbólico; Paradigma pós-factual
Esta tese analisa o modo como Jair Bolsonaro utilizou a pandemia de COVID-19 como oportunidade para reconfigurar disputas simbólicas em torno da verdade no espaço público brasileiro. Parte-se da hipótese de que o período pandêmico não representou uma ruptura absoluta na trajetória política do bolsonarismo, mas um momento de aceleração e radicalização de estratégias discursivas já em operação, particularmente aquelas voltadas à deslegitimação do campo científico, midiático e institucional. A investigação mobiliza um arcabouço teórico que articula a sociologia de Pierre Bourdieu, a teoria política de Hannah Arendt e aportes da análise do discurso e da comunicação política. Argumenta-se que, durante a pandemia, consolidou-se um regime de produção de sentido, aqui denominado paradigma pós-factual, no qual os fatos não deixam de existir, mas perdem centralidade normativa frente a crenças, afetos e identidades políticas. Sustenta-se que Bolsonaro buscou acumular um capital simbólico transversal, operando de forma heterodoxa nos diferentes campos sociais e transferindo para sua própria figura a autoridade de definição da realidade. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada na análise de pronunciamentos oficiais, entrevistas, lives, postagens em redes sociais e conteúdos amplamente circulados no período pandêmico. Ao final, a tese contribui para a sociologia política e da comunicação ao demonstrar como crises sanitárias podem ser instrumentalizadas para corroer a autoridade científica e reconfigurar a noção de verdade na política contemporânea.