OS VENTOS DO NORTE NÃO MOVEM MOINHO": Mercantilização dos ventos e as expropriações impulsionadas pelos empreendimentos eólicos no Semiárido potiguar
Semiárido potiguar; Energia Eólica; Expropriação.
O Semiárido é inicialmente caracterizado por suas condições climáticas, com altas temperaturas e baixa índice pluviométrico, possuindo o fenômeno de estiagens prolongadas com duração anual ou plurianual, determinando os aspectos do território. No Brasil encontram-se nessa região os biomas do Cerrado e Caatinga, com diversidades biológicas de fauna e flora, e também a constituição de uma cultura que agrega multiplicidade de conhecimentos e comunidades, estabelecendo uma identidade e pertencimento a região semiárida. O estudo perpassa o entendimento da relação entre ser social e a natureza, impactada pelo sistema econômico do capital, atribuindo ao espaço geográfico do Semiárido o prejuízo da extração perdulária dos seus recursos naturais e exploração do povo sertanejo que resiste historicamente à destrutividade socioambiental do capitalismo na região. Especificamente, o Semiárido do Rio Grande do Norte, nos últimos anos, está sendo o principal produtor de energia eólica do país. Diante disso, esta pesquisa objetiva analisar os mecanismos e estratégias de expropriação e dominação que subjazem à expansão da energia eólica no Semiárido potiguar, diante da conjuntura da crise climática e dos aspectos socioambientais do território. Para sua construção orienta-se pelo método do materialismo histórico dialético, que permite visualizar as contradições do crescimento da energia eólica no estado potiguar, por meio da fundamentação da questão regional e questão agrária, determinando as particularidades do território e da atual questão socioambiental. Os procedimentos metodológicos apresentados se baseiam na pesquisa bibliográfica e revisão de literatura sobre o objeto estudado, coleta de dados secundários socializados pelos movimentos sociais sobre a realidade das populações que vivem a realidade concreta, além de análise documental relatia ao financiamento estatal e das ações corporativas das agências de fomento à energia eólica.